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ID Corretora deixa fundos do Digimais após investigação da Polícia Federal

A administradora fiduciária deixou quatro fundos ligados ao Banco Digimais depois de ser citada na Operação Miragem. A decisão obriga os cotistas a escolher um novo administrador.
Logo do Banco Digimais ao lado de foto de Edir Macedo, seu dono, em referência à saída da ID corretora dos fundos
A decisão ocorre poucos dias após a empresa ser alvo de busca e apreensão conduzida pela PF (Foto: reprodução)

A ID Corretora, administradora fiduciária responsável por serviços regulatórios e operacionais de fundos de investimento, anunciou nessa segunda-feira (06/07) que deixou a gestão fiduciária de quatro veículos ligados ao Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo.

A decisão ocorre poucos dias após a empresa ser alvo de busca e apreensão na Operação Miragem, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga supostos crimes contra o sistema financeiro.

A renúncia atinge os Fidcs Hermon, 112 e Tabor, fundos de investimento em direitos creditórios, além do Fiagro Goiana, voltado a ativos ligados ao agronegócio. Com a saída da ID Corretora, os cotistas precisarão contratar uma nova administradora fiduciária para manter o funcionamento regular desses veículos.

Operação Miragem investiga valorização artificial de ativos

A Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal em 23 de junho (23/06), investiga suspeitas de crimes contra o sistema financeiro e de fraude contábil envolvendo o Banco Digimais. Entre os alvos da apuração contra o Digimais estão os fundos Hermon e 112, que, até esta segunda, eram administrados fiduciariamente pela própria ID Corretora.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Digimais registrou direitos creditórios adquiridos por cerca de R$ 71 milhões com valor contábil de R$ 741,3 milhões. Para os investigadores, portanto, essa diferença inflou artificialmente o patrimônio apresentado nas demonstrações financeiras.

A PF também afirma que a ID Corretora mantinha ligação direta com a administração desses ativos do Digimais, incluindo títulos considerados de baixa qualidade, cuja avaliação teria contribuído para a suposta distorção contábil. Durante a Operação Miragem, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões relacionados ao banco.

ID Corretora afirma ter seguido normas e busca preservar reputação frente à investigação do Digimais

Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que a decisão não representa reconhecimento de irregularidades. Segundo a ID Corretora, a renúncia busca preservar a confiança dos clientes enquanto as investigações contra o Digimais seguem em andamento.

A corretora declarou que atuou durante todo o período em conformidade com a legislação, as normas regulatórias e padrões de governança e compliance. Também destacou que sua reputação foi construída ao longo de mais de oito anos de atuação independente.

Atualmente, a empresa informa administrar mais de 550 fundos, com aproximadamente R$ 50 bilhões em ativos sob custódia, além de contar com cerca de 70 funcionários.

O Banco Digimais não comentou a decisão da ID Corretora até o momento. Enquanto isso, a investigação da PF segue em fase de apuração, sem decisão judicial definitiva sobre as suspeitas levantadas pela operação.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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