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Vendas de caminhões devem ficar abaixo das expectativas em 2026, apesar dos incentivos

Mesmo com alta nas vendas em junho impulsionada pelo Move Brasil, o setor acumula retração de 9,4% em 2026 e revisa para baixo as expectativas para o restante do ano.
Fileira de caminhões dispostos ilustrando venda de caminhões que movimenta mercado de caminhões
Apesar da alta nas vendas em junho, resultado ainda não sustenta desaquecimento no mercado de caminhões desde o início de 2026 (Foto: Reprodução)

A recuperação das vendas em junho não foi suficiente para mudar o retrato do mercado de caminhões em 2026. Depois de um início de ano fraco, o setor encerrou o primeiro semestre com 48.030 unidades emplacadas, resultado 9,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Os dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mostram que junho terminou com 9.419 caminhões licenciados, alta de 14,9% sobre maio e de 13,5% na comparação com junho do ano passado.

O avanço observado no último mês até ameniza a desaceleração, mas ainda está longe de compensar as perdas acumuladas desde janeiro. O desempenho, portanto, não altera o cenário que levou a própria Fenabrave a rever suas projeções para 2026, que passou de crescimento de 3,5% para queda de 7,8% nas vendas de caminhões novos,

Crédito voltou a destravar compras, mas não resolveu o problema do mercado de caminhões

Apesar de um início de ano morno, a mudança ocorreu após o início da segunda etapa do Move Brasil, programa operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a renovação da frota nacional.

O programa disponibilizou R$ 21,2 bilhões para caminhões, ônibus e implementos rodoviários produzidos no país. Até junho, o banco já havia aprovado R$ 10 bilhões em financiamentos, sendo R$ 3,1 bilhões contratados em operações distribuídas por 1.373 municípios.

Com esse apoio, a preferência dos compradores ficou concentrada nos veículos de maior capacidade. Os caminhões pesados receberam 58% dos recursos aprovados, enquanto os semipesados responderam por 25%, os médios por 12% e os leves por apenas 5%.

Embora o crédito tenha estimulado novos negócios no mercado de caminhões, a própria Fenabrave avalia que o programa apenas reduz parte das dificuldades enfrentadas pelas transportadoras. Isso porque o custo dos financiamentos, os preços do diesel, o comportamento do frete e o ritmo da atividade econômica continuam a pesar na decisão de renovar a frota.

Cadeia automotiva também sente os efeitos da desaceleração

O impacto da retração no mercado de caminhões vai além das montadoras. A redução das compras de também afeta fabricantes de implementos rodoviários, segmento diretamente ligado ao transporte de cargas.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), foram comercializadas 66,7 mil unidades no primeiro semestre. Trata-se, portanto, de um volume 7,5% menor do que o registrado no mesmo período de 2025.

Esse cenário explica por que a Fenabrave abandonou a projeção de crescimento divulgada no início do ano. A expectativa inicial era de expansão. Agora, no entanto, a entidade projeta uma queda, refletindo um ambiente de crédito mais restritivo e crescimento econômico moderado.

A reação observada em junho mostra que existe demanda represada e que o financiamento público pode acelerar parte da renovação da frota. Ainda assim, o desempenho do mercado de caminhões no segundo semestre dependerá menos de um único programa de crédito e mais da evolução dos custos operacionais do transporte e das condições de investimento das empresas.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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