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Crédito impulsiona o setor imobiliário, mas juros ainda limitam o próximo ciclo

Enquanto o financiamento habitacional mantém um ciclo de expansão, representantes do mercado afirmam que juros, reforma tributária e falta de mão de obra ainda limitam o avanço da construção.
Estrutura de obra da construção civil durante execução de empreendimento imobiliário.
Construção civil projeta crescimento mais moderado, mesmo com a expansão do crédito imobiliário sustentando o mercado. (Foto: Reprodução)

O setor imobiliário brasileiro vive um momento incomum. De um lado, o crédito imobiliário segue em expansão e deve registrar um novo recorde de contratações em 2026. De outro, construtoras e fabricantes de materiais projetam um crescimento bem mais modesto para a atividade, sinalizando que o financiamento já não é suficiente para impulsionar toda a cadeia do mercado.

Esse descompasso foi um dos principais pontos discutidos durante um painel no Construsummit, realizado em Florianópolis (SC). Para representantes de bancos, construtoras e da indústria, o mercado continua aquecido, mas o ambiente econômico exige mais eficiência e planejamento do que em ciclos anteriores.

Crédito continua sustentando o setor imobiliário

A Caixa Econômica Federal espera superar R$ 250 bilhões em contratações de crédito imobiliário em 2026, o maior volume já registrado pela instituição. O banco atribui esse desempenho ao fortalecimento do Minha Casa Minha Vida, à estabilidade dos recursos do FGTS e às novas fontes de financiamento incorporadas ao programa habitacional.

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP) também mantém uma perspectiva positiva para o financiamento no setor. A entidade estima crescimento de 28% no crédito imobiliário, com alta de 15% nas operações realizadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Portanto, um avanço de 35% nas linhas financiadas pelo FGTS.

Apesar desse cenário, a entidade avalia que o desempenho dos próximos anos dependerá da evolução da política econômica. Uma redução consistente dos juros poderá ampliar a demanda por financiamentos destinados aos imóveis de média e alta renda, segmento mais sensível ao custo do crédito.

Construção cresce menos que o financiamento

Enquanto os financiamentos aceleram, a construção civil segue um ritmo mais contido. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 1% para o setor imobiliário em 2026. Inclusive, um percentual semelhante ao esperado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT).

A diferença entre os dois indicadores mostra que o aumento do crédito ainda não se traduz na mesma intensidade em novas obras, produção de insumos e expansão da atividade econômica ligada à construção.

Segundo representantes das entidades, o custo elevado do capital continua reduzindo a previsibilidade dos empreendimentos e afetando as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, a dificuldade para contratar profissionais qualificados permanece como um dos principais gargalos enfrentados pelas empresas.

Juros e reforma tributária entram no radar para 2027

O debate também indicou que o setor imobiliário começa a olhar para 2027 com mais cautela. A expectativa é que a entrada em vigor da reforma tributária aumente os desafios relacionados à precificação dos empreendimentos. Isso, enquanto o comportamento da Selic continuará determinando o custo do financiamento para famílias e empresas.

Outro tema apontado como estratégico foi a necessidade de ampliar as fontes de recursos para o crédito habitacional. Na avaliação da ABECIP, a poupança perdeu capacidade de sustentar sozinha a expansão do mercado, tornando instrumentos como LCI, LIG, CRI e FIDC cada vez mais relevantes para financiar novos projetos.

Os participantes também defenderam investimentos em digitalização, inteligência artificial e industrialização das obras. Para eles, essas iniciativas podem elevar a produtividade da construção, mas seus efeitos dependerão de um ambiente econômico mais previsível e de regras capazes de estimular investimentos de longo prazo.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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