BRICS: primeiro encontro pós pandemia acontece

A imagem mostra as bandeiras dos baíses membros do BRICS tremulando por conta do vento.
(Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Com o enfoque na discussão acerca da possível adesão de novos países, os líderes do Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, estão se reunindo pela 15ª vez a partir desta terça-feira (22), em Joanesburgo, na África do Sul. Esta cúpula marca a primeira reunião presencial do grupo após a pandemia de Covid-19.

De acordo com informações das autoridades sul-africanas, mais de 40 nações expressaram interesse em se unir ao bloco. Dessas, um pouco mais da metade formalmente protocolou solicitações de admissão. Especialistas apontam que a seleção de novos candidatos situados fora dos principais centros de poder político global, como América do Norte e Europa Ocidental, sugere uma busca por alternativas que envolvem questionamentos em relação à atual ordem mundial.

Os potenciais novos membros apresentam uma variedade de perspectivas. Enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos enxergam o Brics como um meio para amplificar sua influência em decisões relativas a organizações internacionais, Irã e Venezuela buscam reduzir seu isolamento e esperam que a participação no grupo ajude a mitigar os efeitos das sanções impostas pelos Estados Unidos.

Os candidatos africanos, Etiópia e Nigéria, são atraídos pelo compromisso do bloco em promover reformas nas Nações Unidas. Outros postulantes, como a Argentina, estão interessados em reformular as normas de instituições como a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

No entanto, a possibilidade de ingresso da Argentina ganha contornos de incerteza após o bom desempenho do líder libertário Javier Milei nas prévias da eleição presidencial. Suas propostas de eliminar o Banco Central do país, adotar a dolarização da economia, sair do Mercosul e adotar uma postura hostil em relação à China contrastam com as ideias do grupo. Enquanto anteriormente o governo brasileiro fazia lobby pela adesão argentina, a atual conjuntura política lança dúvidas sobre essa postura.

Durante o encontro em Joanesburgo, é esperado que o grupo discuta os planos para o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como o banco do Brics. O NDB é atualmente liderado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Além disso, eles considerarão a utilização de moedas locais ou uma possível unidade de referência do Brics para transações comerciais entre os membros, visando reduzir a dependência do dólar.

A proposta é criar uma unidade de referência com base em uma cesta de moedas que inclua as moedas nacionais do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esse conceito foi apelidado de R5 pelo think tank russo Valdai Club, utilizando as letras iniciais das moedas locais, todas começando com a letra “r” (real, rublo, rúpia, renminbi e rand).

Atualmente, o Brics representa 40% da população mundial e é responsável por 26% da riqueza global produzida. O termo ‘Brics’ foi criado em 2001 por Jim O’Neill, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs, como uma analogia com a palavra em inglês ‘brick’, que significa “tijolo”. Essa terminologia foi usada para descrever economias emergentes com grande potencial de crescimento no século 21.

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