Índia avança em espaço sideral: e o programa espacial brasileiro? Por Jackson Pereira Jr.

Jackson Pereira Jr - Presidente Executivo do do BNTI e do Sistema de Comunicação Economic News Brasil.

No sábado, 2 de setembro, o panorama espacial global viu uma grande reviravolta: a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) lançou com sucesso seu primeiro observador solar, Aditya-L1. Este marco, alcançado às 3h20 da manhã do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, colocou em evidência o contraste significativo com os desafios enfrentados pelo programa espacial brasileiro nos últimos anos.

A nova sonda indiana, pesando cerca de 1480 kg, foi lançada através do veículo lançador de Satélite Polar (PSLV), sendo corretamente colocada em uma órbita baixa da Terra (LEO, de Low Earth Orbit). De acordo com os planos da ISRO, Aditya-L1 vai eventualmente usar seu sistema de propulsão para se dirigir ao Ponto de Lagrange 1 (L1), onde continuará suas observações solares.

E o Brasil?

Enquanto a Índia avança em sua exploração espacial, o Brasil parece estar perdendo terreno nesta corrida global. Nos últimos anos, a execução orçamentária no setor espacial brasileiro tem sido marcada por uma redução contínua nos recursos alocados, com exceção de uma pequena recuperação vista em 2020. Para 2023, o orçamento planejado para o setor é de R$ 168 milhões, sinalizando uma “possível” tímida  retomada.

O cenário político recente evidenciou a falta de avanços significativos, apesar de termos tido um “astronauta” como ministro da tecnologia, que agora ocupa um posto no Senado. Sua atuação, tanto como ministro quanto como senador, foi percebida por muitos como inexpressiva, focada mais na projeção midiática do que em contribuições substanciais para o setor.

O desenvolvimento do programa espacial brasileiro tem encontrado uma série de contratempos, incluindo a falha no lançamento do HANBIT-TL em dezembro de 2022, marcando a terceira tentativa fracassada desde sua chegada ao Maranhão. Diante de um orçamento enxuto e da ausência de grandes projetos de satélites, a Agência Espacial Brasileira (AEB) agora parece estar mudando seu foco para a produção de nanossatélites.

Além disso, há uma ênfase renovada em capitalizar o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Embora tenha sido promovida como um hub comercial desde a assinatura do acordo de salvaguarda tecnológica com os EUA em março de 2019, ainda não houve lançamentos de empresas no local, evidenciando um caminho longo até o momento em que o Brasil possa realmente rivalizar com os sucessos recentes de nações como a Índia no cenário espacial global.

*Opinião – Artigo Por Jackson Pereira Jr.empreendedor, diretor do BNTI, fundador e CEO do Economic News Brasil.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.

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