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BRICS: nova formação aumenta parcela de recursos naturais

Joanesburgo, África do Sul, 24.08.2023 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da Sessão I do Diálogo de Amigos do BRICS, BRICS-Africa Outreach e BRICS Plus. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brics, grupo de países emergentes que antes contava com cinco membros, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, agora se transformou em um bloco ainda mais influente com a adição de seis novos integrantes: Argentina, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Durante a reunião dos Brics em Joanesburgo, entre os dias 22 e 24 de agosto, o presidente chinês Xi Jinping destacou o objetivo de transformar o grupo em um rival geopolítico do G7, que inclui as maiores economias industrializadas do mundo. Essa expansão traz consigo uma série de implicações estratégicas e econômicas.

Um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, uma organização independente americana de estudos políticos, revelou que o novo Brics, agora com 11 países, representa uma parcela significativa dos recursos naturais do mundo. Isso inclui 72% dos minerais de terras raras e 42% do petróleo global. Esses dados destacam a relevância do Brics no contexto global, especialmente em um momento em que a demanda por minerais críticos e energia está em constante crescimento.

A inclusão da Argentina no Brics é particularmente relevante, pois fortalecerá o fornecimento de lítio do bloco. O banco americano JPMorgan prevê que a participação da Argentina no suprimento global de lítio aumentará de 6% em 2021 para 16% em 2030, tornando-a o segundo maior produtor de lítio do mundo até 2027. A Argentina já possui 13 projetos de lítio em andamento, superando outros países em desenvolvimento.

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A Arábia Saudita, outro membro do Brics, também está fazendo investimentos significativos em minerais críticos, como níquel e cobre, no Brasil. Um acordo de US$ 2,6 bilhões foi assinado para adquirir uma participação de 10% na divisão de metais básicos da Vale. Isso é parte de um esforço para atingir a meta de construir 500 mil veículos elétricos anualmente até 2030. Esses investimentos ressaltam a importância do Brics como um bloco econômico global em crescimento.

Os Brics estão interessados em fortalecer parcerias no setor energético para garantir que os membros do bloco não sejam prejudicados por sanções internacionais, como as impostas pelo G7 à Rússia. Os pesquisadores Gracelin Baskaran e Ben Cahill sugerem que os Brics podem adotar uma abordagem semelhante à Parceria para a Segurança Mineral liderada pelos Estados Unidos. Isso implica criar mecanismos de comércio fora do alcance do setor financeiro do G7.

No entanto, os desafios são significativos, uma vez que o comércio de energia é amplamente baseado no dólar, devido à sua liquidez e conversibilidade. Ainda que tenha havido um aumento no número de acordos energéticos bilaterais liquidados em outras moedas, como o renminbi chinês ou rúpias indianas, os pagamentos em outras divisas ainda não alcançaram a plena internacionalização.

Em resumo, a expansão do Brics para 11 países representa um marco importante na geopolítica global, com implicações significativas no fornecimento de recursos naturais, produção de lítio e busca por independência financeira. O Brics tem o objetivo de  fortalecer sua presença no cenário mundial e a criar alternativas econômicas.

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