O Relatório Focus publicado hoje, segunda-feira (17/11), mostrou um recuo adicional nas previsões de inflação para 2025. O relatório semanal do Banco Central do Brasil (BCB) também aponta que a estimativa do IPCA caiu para 4,46%, enquanto a taxa básica de juros (Selic) permaneceu projetada em 15% no cenário anual. Já o câmbio seguiu praticamente estável, orbitando R$5,40 desde a semana anterior, reforçando a leitura de estabilidade nos mercados no fim do ano.
As projeções do Focus também mantiveram o Produto Interno Bruto (PIB) em 2,16% para 2025, sinalizando que o ambiente de atividade econômica continua sem alterações relevantes. Embora o quadro inflacionário esteja melhorando, o avanço dos preços administrados, agora estimado em 5,06%, indica que a convergência completa da inflação ainda enfrenta obstáculos estruturais.
IPCA, atividade e juros no Relatório Focus de hoje
De acordo com o boletim Focus, a inflação de curto prazo reforça esse quadro. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro foi projetado em 0,21%, e o de dezembro em 0,49%, ambos em desaceleração frente às leituras anteriores. O índice suavizado em 12 meses oscilou para 4,11%, sugerindo maior conforto para a política monetária. Mesmo assim, a Selic permaneceu inalterada para todo o horizonte de 2025, enquanto as estimativas de 2026 e 2027 apontam recuos graduais para 12,25% e 10,5%.
O comportamento da atividade econômica segue estável. O PIB previsto para 2026 permaneceu em 1,78%, enquanto 2027 e 2028 mantiveram 1,88% e 2,0%, respectivamente. Segundo as estimativas do mercado do boletim Focus, essa constância reflete um cenário de crescimento moderado e pouco sujeito a revisões bruscas no curto prazo.
Desempenho do setor externo e fiscal
Já o desempenho do setor externo apresentado no Relatório Focus de hoje mostrou sinais mistos. O superávit da balança comercial subiu para US$62,10 bilhões, apoiado por exportações mais robustas e um câmbio ainda favorável. Por outro lado, o déficit em conta corrente se aprofundou para US$72,15 bilhões, indicando maior necessidade de financiamento externo. Já a dívida líquida do setor público avançou para 65,83% do PIB, acompanhando a manutenção do resultado nominal em –8,50%.
Portanto, a política monetária continua sensível a esses indicadores. A estabilidade do câmbio e a desaceleração dos preços ajudam a conter pressões, mas a combinação entre administrados altos e contas externas mais frágeis ainda limita a possibilidade de cortes mais agressivos.
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Um cenário guiado pelas expectativas do Relatório Focus
As expectativas do Relatório Focus divulgado hoje mostram um mercado atento à dinâmica inflacionária e à evolução fiscal. Ao mesmo tempo em que o superávit comercial gera amortecimento relevante, o déficit externo crescente tende a influenciar o comportamento cambial ao longo dos próximos meses.
A depender do fluxo global e da resistência dos preços administrados, o ritmo de queda da inflação pode ditar não apenas o curso da Selic em 2026, mas também o apetite dos investidores por risco doméstico.











