O ataque dos EUA à Venezuela não interrompeu a produção nem o refino de petróleo da Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), afirmou a própria estatal. Segundo a avaliação inicial de fontes com conhecimento direto das operações, as principais instalações ligadas à cadeia petrolífera permaneceram intactas, apesar da ofensiva militar conduzida por Washington na manhã deste sábado (03/01).
De acordo com essas fontes, refinarias, campos de extração e terminais estratégicos continuaram operando normalmente. Os danos mais relevantes provocados pelo ataque dos EUA ocorreram no porto de La Guaira, próximo a Caracas, capital da Venezuela. No entanto, o local não é utilizado para operações de petróleo, o que limitou impactos diretos sobre a logística do setor.
O ataque dos EUA à Venezuela ocorre após o endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos. Em dezembro, Donald Trump anunciou um bloqueio à entrada e à saída de petroleiros da Venezuela. Além disso, autoridades americanas apreenderam dois carregamentos de petróleo venezuelano. Dados de monitoramento e documentos internos indicam que, com isso, as exportações caíram para cerca de metade dos 950 mil barris por dia registrados em novembro.
Nesse cenário, proprietários de embarcações passaram a evitar águas venezuelanas. Isso elevou rapidamente os estoques de petróleo bruto e combustíveis da PDVSA. A estatal reduziu o ritmo de carregamentos nos portos e passou a armazenar petróleo em navios-tanque para evitar cortes na produção ou no refino.
Ataque dos EUA à Venezuela amplia pressão sobre exportações
O ataque dos EUA à Venezuela se soma ao embargo imposto em 2019, com o objetivo de pressionar economicamente o governo de Nicolás Maduro. Antes das sanções, o petróleo representava 96% das receitas do país, sendo cerca de 75% provenientes de clientes americanos.
Atualmente, a Venezuela vende parte relevante de sua produção no mercado paralelo, com preços mais baixos, especialmente para a China. Segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a produção caiu de 3,5 milhões de barris por dia em 2008 para menos de 1 milhão atualmente. Mesmo sem danos diretos às instalações, o ataque dos EUA à Venezuela amplia a pressão sobre exportações, logística e receitas do setor energético.











