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Pix no e-commerce pode atingir 50% das transações até 2028

O Pix no e-commerce já supera cartões e pode alcançar 50% das compras online até 2028, segundo o Ebanx. A disputa entre pagamento instantâneo e crédito parcelado redefine o mercado digital brasileiro.
Participação do Pix no e-commerce brasileiro até 2028
Projeção indica que o Pix pode atingir metade das compras online até 2028.

O Pix no e-commerce respondeu por 42% das compras online no Brasil no ano passado e deve alcançar 50% até 2028, segundo projeção do Ebanx com base em dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI). Nesta terça-feira (11/02), a fintech indicou que o sistema criado pelo Banco Central já superou os cartões de crédito, que ficaram com 41% das transações digitais.

Além disso, a estimativa aponta que a fatia do Pix deve subir para 45% até o fim deste ano. Caso o ritmo se confirme, a vantagem sobre o cartão de crédito pode chegar a 14 pontos percentuais em 2028, consolidando uma mudança estrutural no mercado de pagamentos digitais.

Pix no e-commerce acelera sobre cartões

Desde 2023, o sistema de pagamentos instantâneos já supera o volume combinado de crédito e débito. No ambiente online, contudo, a virada ganhou força recentemente, impulsionada por maior presença nos checkouts digitais e por incentivos comerciais.

Houve muito desse ganho de confiança por parte da população com o Pix, combinado com o aumento da disponibilidade nos sites. A curva de adoção no pagamento a empresas avançou após a consolidação das transferências entre pessoas.

Dados do Banco Central mostram que as transações pessoa para empresa (P2B) representaram 46% do volume total do Pix em janeiro. Já as transferências entre pessoas (P2P) responderam por 40%. Desde setembro, o segmento corporativo lidera em volume, reforçando a expansão no comércio eletrônico brasileiro.

Pagamentos digitais e a disputa pelo parcelado

Um dos vetores recentes foi o Pix Automático, funcionalidade de pagamentos recorrentes lançada no ano passado. O recurso ampliou o alcance do sistema em serviços e assinaturas, tradicionalmente dominados pelo cartão.

Ainda assim, o cartão de crédito mantém espaço relevante. O hábito do parcelamento segue enraizado na cultura de consumo, especialmente em compras de maior valor. Desconto é bom e ele matematicamente faz sentido para o usuário. Mas a pessoa vê e fala: mesmo com desconto eu não consigo pagar este mês.

Portanto, embora o pagamento à vista com desconto ganhe tração, o crédito parcelado continua atendendo consumidores que dependem de fluxo de caixa e financiamento do consumo.

Pix no e-commerce e o novo desenho competitivo

A ascensão do Pix no e-commerce também pressiona as bandeiras internacionais. Mastercard e Visa permanecem dominantes no segmento de cartões, mas enfrentam perda de participação nas compras online.

Além disso, o sistema entrou na mira dos Estados Unidos, que investigam possíveis práticas comerciais desleais e questionam o papel duplo do Banco Central como operador e regulador. O BC não comentou no estudo citado.

Diante desse cenário, o Pix no e-commerce consolida-se como eixo central da transformação nos meios de pagamento, alterando estratégias de adquirentes, varejistas e fintechs. Se as projeções se confirmarem, o equilíbrio entre crédito e pagamento instantâneo redefinirá a dinâmica do sistema financeiro brasileiro nos próximos anos.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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