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Falência de agricultores dos Estados Unidos sobe 46% e expõe dívida recorde no campo

A falência de agricultores nos EUA avançou 46% em 2025, com 315 pedidos e dívida projetada em US$ 624,7 bilhões. Perdas bilionárias em grãos e pecuária pressionam o campo americano.
Imagem do uma máquina de colher para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Falência de agricultores dos Estados Unidos
(Imagem: Augusto Bosch/Pixabay)

A Federação Americana de Agricultura (AFBF) divulgou nesta semana que a falência de agricultores aumentou 46% em 2025 nos Estados Unidos. Ao todo, 315 produtores recorreram ao chamado Capítulo 12, mecanismo jurídico destinado a agricultores familiares endividados. O G1 divulgou as informações.

O número de falências expõe um ambiente financeiro deteriorado no campo. Além da alta anual, as regiões do Meio-Oeste e do Sudeste registraram crescimento de 70% e 69%, respectivamente, nos pedidos de recuperação judicial rural.

Falência de agricultores nos Estados Unidos e o avanço do endividamento

O aumento da falência de agricultores ocorre em paralelo à expansão da dívida agrícola nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura (USDA) estima que o passivo total do setor alcançará US$ 624,7 bilhões em 2026, avanço de 5,2% e novo recorde histórico.

Segundo a AFBF, o crédito tem sido usado majoritariamente para custear insumos agrícolas, como fertilizantes e sementes, e não para ampliar a produção. No quarto trimestre de 2025, os empréstimos com essa finalidade cresceram 40% na comparação anual.

A economista Samantha Ayoub, da associação, afirma que “são esperadas perdas significativas no setor de grãos por mais um ano”, enquanto parte da pecuária opera com margens mais apertadas. Para ela, o acúmulo de perdas após anos de queda nas receitas elevou a pressão financeira.

Recuperação judicial rural reflete perdas no agro

A recuperação judicial rural também está ligada às perdas bilionárias nas principais commodities. Shawn Arita, do Agricultural Risk Policy Center, estimou em dezembro prejuízos entre US$ 35 bilhões e US$ 44 bilhões em culturas como milho, soja, trigo e amendoim.

Além disso, as exportações de soja foram afetadas por disputas comerciais e retaliações tarifárias, especialmente da China. Com preços pressionados e custos elevados de mão de obra e fertilizantes, a rentabilidade encolheu.

Na pecuária, o cenário não é diferente. O rebanho bovino atingiu o menor nível desde 1951, segundo o USDA. A seca no oeste do país reduziu pastagens e elevou custos de alimentação, enquanto restrições às importações de gado mexicano limitaram a oferta.

Falência de agricultores e resposta do governo dos Estados Unidos

Diante desse quadro, o governo norte-americano anunciou em dezembro um pacote de US$ 11 bilhões para apoiar produtores na compra de sementes e fertilizantes. O governo apresentou a medida após entidades do setor pressionarem por apoio financeiro.

Mesmo assim, a trajetória da falência de agricultores sugere que o alívio pode ser temporário nos Estados Unidos. Com dívida crescente, perdas acumuladas e crédito voltado à sobrevivência operacional, o agronegócio americano entra em 2026 sob forte tensão financeira e com capacidade limitada de investimento.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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