A compra de imóveis em 2026 alcançou 50% dos domicílios com renda superior a R$ 2,5 mil, segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O dado, obtido em 35 cidades com 1.250 entrevistas, coloca a intenção de aquisição imobiliária no maior patamar da série recente.
Além disso, 35% dos interessados afirmam que pretendem fechar negócio em até um ano, sendo 8% nos próximos seis meses. Parte desse grupo já incorporou a decisão ao planejamento financeiro. A leitura, contudo, impõe um teste à capacidade de crédito e oferta do setor.
Transição de vida lidera a compra de imóveis em 2026
A pesquisa mostra que 55% dos potenciais compradores estão em fase de mudança residencial. Entre eles, 32% querem sair do aluguel e 13% buscam deixar a casa dos pais. Há ainda quem compre por casamento, separação ou mudança de cidade.
Esse perfil indica que a demanda habitacional nasce de necessidade concreta, não apenas de expectativa de valorização. Para além do impulso imediato, o dado ajuda a dimensionar a pressão estrutural sobre o mercado imobiliário brasileiro.
Moradia principal concentra a demanda
A preferência é clara: 89% procuram imóvel residencial para moradia. Apenas 6% miram segunda residência e 9% demonstram interesse em imóvel comercial. Quando o recorte é o tipo, 48% indicam apartamentos como primeira opção.
Esse padrão reforça a predominância da habitação própria como destino da compra. Ao mesmo tempo, o segmento de imóveis residenciais tende a concentrar lançamentos, financiamento habitacional e estoque disponível.
Upgrade e investimento mantêm presença relevante
Cerca de 29% desejam trocar de imóvel para melhorar padrão. A busca envolve mais espaço, melhores atributos, como garagem e área de lazer, ou unidades mais novas. Trata-se de uma fatia que já integra o setor imobiliário, mas pressiona por qualidade.
Já 11% apontam finalidade de investimento, sobretudo para locação. O imóvel permanece visto como reserva de valor de longo prazo, além de fonte de renda. Esse componente financeiro sustenta parte da demanda por imóveis, ainda que em escala menor.
No pano de fundo, a comparação histórica amplia o contraste: antes da pandemia, a intenção marcava 43%; em 2022, recuou para 31%. A compra de imóveis em 2026, portanto, ocorre em ambiente de recomposição do apetite das famílias. Se crédito, renda e custo do financiamento acompanharem essa disposição, o setor pode enfrentar um ciclo de ajuste entre oferta disponível e procura efetiva e o equilíbrio dessa equação definirá o ritmo do mercado nos próximos trimestres.





