Carlos Prado, vice-presidente da FIEC é homenageado pela Assembleia Legislativa do Piauí após quatro décadas e meia de atuação empresarial no semiárido. O reconhecimento formaliza uma trajetória iniciada nos anos 1980, quando a Itaueira Agropecuária instalou unidades em Canto do Buriti e Pajeú do Piauí, apostando na produção irrigada em uma área marcada por escassez hídrica.
A solenidade ocorreu em 27 de fevereiro, por iniciativa do deputado Dr. Hélio Oliveira e com aprovação unânime. Contudo, o dado que atravessa o protocolo é técnico: a perfuração de poços de até mil metros para viabilizar o cultivo de caju e, mais tarde, soja com irrigação de salvamento. É nesse ponto que a narrativa deixa de ser simbólica e entra no campo estrutural.
Irrigação profunda alterou a lógica produtiva local
Ao relembrar os primeiros anos da Itaueira, Carlos Prado afirmou que a falta de água era o obstáculo central. Segundo ele, a solução veio com engenharia de captação subterrânea em grande profundidade. A estratégia permitiu consolidar produção agrícola sustentável, ampliar a fruticultura irrigada e sustentar cadeias de exportação de frutas.
Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), declarou que o empresário integrou seu destino ao do estado. A investigação sobre esse processo, contudo, esbarra em um detalhe econômico: a interiorização do capital privado em regiões historicamente dependentes de transferências públicas.
Integração institucional ampliou influência regional
Além da operação agrícola, o executivo ocupou funções na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e fundou a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (ABRAFRUTAS). Essa rede ampliou o acesso a crédito rural, políticas de irrigação e interlocução com governos estaduais.
O título de cidadania piauiense sinaliza, portanto, uma convergência entre setor industrial cearense e agronegócio no Piauí. Para além do reconhecimento político, o gesto reforça a articulação Nordeste–Nordeste em cadeias como caju, soja irrigada e agroindústria regional.
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Semiárido como fronteira agrícola permanente
Dados citados na sessão apontam geração de emprego e renda em municípios do interior, informação que requer atribuição formal aos parlamentares e dirigentes locais. Ainda assim, o avanço da irrigação subterrânea, aliado à mecanização e ao uso de tecnologia agrícola, alterou a dinâmica produtiva em áreas antes classificadas como improdutivas.
Hoje, aos 85 anos, Prado projeta crescimento contínuo para o estado. A declaração é opinativa, mas revela confiança na consolidação de polos agrícolas baseados em água de poço profundo.
No horizonte, a consolidação do semiárido como eixo permanente de produção depende de três vetores: gestão hídrica eficiente, segurança jurídica fundiária e acesso a mercado externo. Vice-presidente da FIEC é homenageado em um momento em que o Nordeste amplia sua presença no mapa do agronegócio nacional, e a disputa por água e produtividade tende a definir os próximos capítulos dessa expansão.





