A reforma tributária nos supermercados começa a revelar efeitos práticos que vão além da simplificação prometida no novo modelo fiscal brasileiro. Em Fortaleza, empresários do varejo alimentar vão se reunir em abril para discutir como as novas regras podem afetar precificação, crédito tributário e capital de giro das empresas do setor.
Nesse contexto, o encontro faz parte da série BMS On The Road, promovida pela BMS Consultoria Tributária em parceria com a Associação Cearense de Supermercados (ACESU). A edição regional acontece em 8 de abril de 2026, no restaurante Illa Mare, na capital cearense. A proposta é reunir cerca de 100 empresários e executivos do setor supermercadista para debater os efeitos práticos da transição fiscal prevista até 2033.
Além disso, o encontro busca transformar temas técnicos em decisões empresariais. A discussão parte de um ponto claro: muitos empresários ainda não compreendem plenamente o alcance das mudanças. Por isso, especialistas defendem que o momento exige atualização constante e leitura estratégica das novas regras.
Além disso, o objetivo é transformar temas tributários complexos em decisões empresariais. Para Rubens Tavares, CEO do Grupo BMS, muitas empresas ainda não perceberam a dimensão das mudanças.
“O problema não é a reforma em si. O problema é que a maioria das empresas ainda não entendeu o que muda, como muda e quando muda”, afirma. Segundo ele, o país vive um momento raro de transição institucional. “Entramos no maior processo de transformação fiscal da nossa história. A transição vai até 2033. Simplificação no destino, turbulência no caminho”.
Reforma tributária nos supermercados altera lógica de operação
Ao mesmo tempo, a reforma tributária nos supermercados tende a atingir áreas sensíveis da operação. Isso ocorre porque o setor trabalha com margens apertadas, alto volume de vendas e milhares de produtos em estoque.
Além disso, a nova lógica de tributação no destino do consumo altera a forma como empresas organizam política de preços, gestão de fornecedores e planejamento tributário. Assim, decisões que antes eram operacionais passam a exigir análise fiscal mais detalhada.
Outro ponto relevante envolve o chamado split payment. Nesse modelo, o imposto pode ser retido no momento da transação. Como resultado, parte do dinheiro deixa de circular na empresa antes mesmo de chegar ao caixa do supermercado. Portanto, o efeito aparece diretamente no fluxo de caixa das operações.
Por essa razão, encontros presenciais passaram a ganhar espaço na agenda empresarial. Eles funcionam como ambientes de interpretação técnica das mudanças e de troca de experiência entre executivos do setor.
Problemas tributários recorrentes no varejo alimentar
Durante as rodadas técnicas promovidas pela BMS em diferentes estados, alguns problemas aparecem com frequência no setor supermercadista.
Entre os principais estão a tributação de bonificações comerciais, erros de classificação fiscal (NCM) e questões relacionadas ao estoque monofásico. Nesse caso, produtos já tributados na origem podem acabar sendo novamente tributados na ponta da cadeia.
Além disso, a própria cadeia de fornecedores pode gerar distorções fiscais. Quando um fornecedor possui irregularidades tributárias ou regime incompatível, o supermercado pode perder créditos de IBS e CBS. Como consequência, a empresa paga o imposto na cadeia, mas não consegue aproveitar o crédito.
Assim, o efeito aparece diretamente na estrutura de custos e nas margens operacionais. Para empresas que operam com milhares de transações por dia, pequenas diferenças fiscais podem alterar o resultado financeiro.
Atualização técnica vira ferramenta de gestão
Diante desse cenário, a ACESU considera fundamental promover espaços de atualização para os empresários do setor. Segundo a presidente da entidade, Cláudia Novais, o ambiente tributário brasileiro exige preparo constante das empresas. “Promover um encontro como esse é extremamente relevante porque o ambiente tributário brasileiro passa por constantes mudanças”, afirma.
Além disso, ela destaca que o setor opera sob pressão estrutural. “No setor supermercadista, compreender corretamente a legislação pode representar um diferencial importante para a sustentabilidade do negócio”, explica. Para a dirigente, eventos desse tipo também criam um espaço de troca entre empresários. “Esses encontros proporcionam atualização, diálogo e troca de experiências entre empresários e especialistas”.
Segundo Claudia, essa troca fortalece o setor no estado. “Quando empresários têm acesso a especialistas que compreendem as particularidades do segmento, conseguem identificar caminhos para melhorar processos e reduzir riscos”, afirma. Além disso, encontros desse tipo criam um ambiente de troca de experiências entre empresários e especialistas. Com isso, o setor amplia sua capacidade de resposta diante das mudanças regulatórias.
A parceria com a BMS Consultoria Tributária segue essa lógica. A empresa tem promovido encontros semelhantes com associações de supermercados em diferentes estados, ampliando o debate técnico sobre os efeitos da reforma no varejo alimentar.
Nesse contexto, a reforma tributária nos supermercados deixa de ser apenas um tema jurídico. Aos poucos, ela passa a influenciar diretamente as decisões estratégicas das empresas. Em um setor de margens apertadas, compreender as novas regras fiscais deixou de ser apenas recomendável, tornou-se parte da gestão do negócio.





