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Inflação na China sobe a 1,3% em fevereiro, maior índice em três anos

A inflação na China chegou a 1,3% em fevereiro, maior nível em três anos. O avanço ocorreu após forte consumo no Ano Novo Lunar, enquanto a economia ainda enfrenta desafios ligados ao setor imobiliário e ao comércio externo. Saiba mais.
inflação na China durante o Ano Novo Lunar
Movimento de consumidores e turistas durante o feriado do Ano Novo Lunar contribuiu para a alta recente da inflação na China. (Foto: Reprodução)

A inflação na China atingiu 1,3% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (09/03) pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE). O índice de preços ao consumidor alcançou o maior patamar em três anos, após avanço nos gastos ligados ao feriado do Ano Novo Lunar.

O resultado representa forte aceleração frente aos 0,2% registrados em janeiro. Também supera o nível observado em dezembro, quando o índice havia marcado 0,8%. A alta ocorreu em meio à estratégia das autoridades chinesas de estimular o consumo doméstico como forma de apoiar a atividade econômica.

Inflação na China em fevereiro e o efeito do Ano Novo Lunar

O feriado do Ano Novo Lunar, que durou nove dias, ampliou as viagens domésticas e elevou o fluxo de consumidores em diversos setores. Como consequência, serviços ligados ao turismo e ao transporte registraram aumento relevante de preços, fator que contribuiu para a inflação na China no período

Entre os itens com maior variação apareceram as passagens aéreas, com aumento anual de 29,1%, e as joias de ouro, cujos preços subiram 76,6% no período. Esse avanço reflete a forte procura durante as celebrações tradicionais no país e ajuda a explicar a aceleração da inflação na China em fevereiro.

Além disso, o chamado núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui alimentos e combustíveis, avançou 1,8% em fevereiro na comparação anual. Em janeiro, o indicador havia registrado alta de 0,8%, sinalizando aceleração nos preços de serviços e bens ligados ao consumo urbano.

Preços ao consumidor chineses e cenário econômico

Na comparação mensal, os preços ao consumidor subiram 1% em fevereiro, ritmo superior ao esperado por analistas consultados pela Reuters, que projetavam avanço de 0,5%. Em janeiro, o aumento havia sido de apenas 0,2%.

Apesar da aceleração recente da inflação da China em fevereiro, a economia ainda enfrenta desafios estruturais. Entre eles estão a prolongada crise no setor imobiliário, a desaceleração do investimento e as tensões comerciais externas, especialmente com os Estados Unidos e o fechamento do estreito de Ormuz.

Nesse contexto, o governo definiu uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para 2026. Trata-se do menor objetivo de expansão desde 1991, excluindo o período de 2020, quando a pandemia de Covid-19 levou o país a não estabelecer uma meta formal.

inflação na China e os sinais da indústria em fevereiro

Enquanto os preços ao consumidor avançaram, os indicadores industriais continuam apontando fragilidade em parte da economia. O índice de preços ao produtor (PPI) registrou queda anual de 0,9% em fevereiro, menor recuo desde julho de 2024. O resultado ficou acima da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que previam retração de 1,2%. Em janeiro, o indicador havia caído 1,4%.

Segundo Dong Lijuan, estatístico do Escritório Nacional de Estatísticas, a redução mais moderada no índice de preços ao produtor reflete preços mais firmes em setores industriais avançados e emergentes, além de medidas de gestão de capacidade produtiva em segmentos estratégicos.

O especialista também afirmou que o PPI subiu 0,4% na comparação mensal, influenciado pela alta global do petróleo e pela expansão da demanda associada à capacidade de computação e infraestrutura tecnológica.

Nesse cenário, a inflação da China em fevereiro passa a ser acompanhada com atenção por analistas e autoridades, já que a evolução dos preços pode indicar até que ponto o estímulo ao consumo conseguirá sustentar a atividade econômica nos próximos meses.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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