A recuperação judicial no agronegócio atingiu um novo recorde no Brasil, após dados da Serasa Experian apontarem 1.990 pedidos em 2025, avanço de 56,4% em relação ao ano anterior. O número é o maior desde o início do monitoramento da consultoria, em 2021, e expõe o avanço das dificuldades financeiras no campo.
O aumento ocorre mesmo em um período de expansão da produção agrícola. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 11,7%, impulsionado por uma safra recorde de grãos. Ainda assim, produtores enfrentam queda nas cotações agrícolas, custos elevados e juros altos, fatores que comprimem a rentabilidade das operações rurais.
Recuperação judicial no agronegócio atinge produtores e empresas
O levantamento mostra que o avanço da recuperação judicial no agronegócio ocorre em diferentes segmentos do setor. Entre produtores rurais pessoas físicas, foram registrados 853 pedidos, alta de 50,7% frente a 2024.
Já as empresas rurais concentraram 753 solicitações, crescimento de 84,1% na comparação anual. Também aparecem na estatística companhias ligadas à cadeia produtiva, como revendas de insumos agrícolas, que somaram 384 processos, avanço de 29,3%.
O cenário financeiro segue pressionado no campo. Segundo avaliação da Serasa Experian, o ambiente de crédito mais restritivo, somado à manutenção de custos elevados de produção e ao alto nível de endividamento, continua comprometendo o fluxo de caixa das operações rurais.
Endividamento rural cresce apesar de safra recorde
Apesar do aumento da produção agrícola, a rentabilidade do setor segue pressionada. A combinação de juros elevados, queda nos preços internacionais de grãos e custos de produção elevados tem reduzido a margem financeira dos produtores desde a safra 2023/2024.
Além disso, a estrutura do financiamento agrícola também influencia o cenário. O Plano Safra, principal programa de crédito rural do país, define suas taxas entre junho e julho, o que significa que o financiamento da safra 2026-2027 ainda poderá ocorrer com taxas elevadas.
Recuperação judicial no agronegócio também pressiona bancos
O avanço da recuperação judicial no agronegócio também começa a aparecer nos balanços de instituições financeiras com forte atuação no crédito rural. Bancos públicos, que concentram grande parte do financiamento ao setor, já registram aumento de operações problemáticas.
Na Caixa Econômica Federal, os créditos do agronegócio considerados de maior risco passaram de R$ 4 bilhões para R$ 12 bilhões em um ano. O aumento levou o banco a ampliar provisões para perdas, enquanto o lucro recorrente do quarto trimestre caiu 39,6%, para R$ 2,8 bilhões.
No Banco do Brasil, a inadimplência do setor rural alcançou níveis 500% acima da média histórica. O banco encerrou 2025 com lucro de R$ 20,7 bilhões, queda de 45,4% frente ao ano anterior e o menor resultado desde 2020.
A tendência é que o avanço da recuperação judicial no agronegócio continue no radar do mercado financeiro. Com juros elevados, custos agrícolas ainda pressionados e incertezas globais que podem influenciar a inflação e a política monetária, o equilíbrio financeiro do campo tende a permanecer no centro das discussões econômicas nos próximos ciclos agrícolas.



