Nesta quarta-feira (11/03), dados sobre as exportações do Brasil para os EUA divulgados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostraram queda de 25,5% em janeiro, somando US$ 2,4 bilhões. O recuo marcou o sexto mês consecutivo de retração nas vendas ao mercado americano e ampliou o déficit comercial bilateral para US$ 0,7 bilhão, mais que o triplo registrado no mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos também diminuíram, com retração de 10,9% na comparação anual. Como a queda nas vendas externas foi mais intensa, o resultado ampliou o desequilíbrio da balança comercial bilateral, segundo análise divulgada pela Amcham Brasil.
Exportações do Brasil para os EUA sofrem pressão de tarifas
Parte relevante da retração, que repete uma sequência mensal, está ligada ao desempenho de produtos afetados por barreiras tarifárias. Segundo a Amcham Brasil, bens sujeitos a tarifas adicionais tiveram queda média de 26,7% nas exportações.
Itens submetidos a sobretaxas de 40% e 50% registraram retrações expressivas. Entre os produtos mais impactados nas exportações do Brasil para os EUA, aparecem cobre, produtos siderúrgicos e outros itens vinculados à Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos Estados Unidos, instrumento que permite restrições comerciais com base em argumentos de segurança nacional.
Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, o cenário reforça um padrão observado nos últimos meses. Segundo ele, “os dados de janeiro confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral”.
Comércio bilateral registra queda concentrada em petróleo e indústria
Entre os itens que mais contribuíram para a retração das vendas externas aparece o óleo bruto de petróleo, cujas exportações para os EUA caíram 39,1% na comparação anual.
Outros produtos também pesaram negativamente no desempenho das exportações do Brasil para os EUA, incluindo:
- Semiacabados de ferro ou aço;
- Sucos;
- Elementos químicos inorgânicos;
- Combustíveis derivados de petróleo.
Apesar de o quadro ser mais fraco em alguns setores, parte da pauta exportadora brasileira registrou desempenho relativamente melhor. Além disso, entre os dez produtos mais vendidos aos Estados Unidos, seis tiveram resultado superior ao observado nas exportações destinadas a outros países.
Exportações do Brasil para os EUA revelam mudança nas rotas comerciais
Entre os itens com desempenho mais resiliente no mercado americano aparecem café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia. Esses produtos mantiveram vendas relativamente mais fortes para os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, alguns bens que registraram queda nas vendas para os EUA apresentaram desempenho melhor em outros destinos. Para a Amcham Brasil, esse padrão indica uma mudança na geografia das exportações brasileiras, com redirecionamento de parte das vendas externas.
Segundo Abrão Neto, o comércio entre os dois países permanece sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos cruzados e geração de empregos em ambos os mercados.
Nesse contexto, a entidade defende avanço no diálogo econômico para reduzir barreiras comerciais. Caso contrário, o enfraquecimento recente das exportações do Brasil para os EUA pode manter pressão sobre a balança comercial bilateral ao longo de 2026.





