IPCA de fevereiro testa cortes da Selic enquanto petróleo pressiona inflação

O IPCA de fevereiro será divulgado com expectativa de desaceleração da inflação, mas a alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio pode alterar as apostas sobre o ritmo de corte da Selic e influenciar o comportamento do Ibovespa.
IPCA de fevereiro e impacto do petróleo na inflação
Divulgação do IPCA de fevereiro ocorre enquanto petróleo pressiona expectativas de inflação. Imagem: Canva

IPCA de fevereiro chega ao mercado nesta quinta-feira (12) sob pressão incomum: enquanto o indicador deve mostrar desaceleração da inflação, a disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio cria um novo fator de risco para a trajetória dos juros no Brasil.

A projeção da Warren aponta alta de 0,61% no mês, o que levaria o IPCA de fevereiro a uma inflação acumulada de 3,72% em 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados em janeiro. Em tese, esse quadro abre espaço para o Banco Central iniciar o ciclo de redução da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana. Contudo, a leitura do indicador esbarra em uma variável externa que ganhou peso nos últimos dias.

Alta do petróleo cria dúvida sobre trajetória da Selic

O avanço das tensões envolvendo o Irã elevou rapidamente o preço da commodity energética. O barril do Brent opera próximo de US$ 96, enquanto o WTI se aproxima de US$ 91, níveis que ampliam o risco de pressão futura sobre combustíveis, logística e cadeias de produção.

Esse ambiente explica por que as apostas do mercado sobre o primeiro corte da taxa básica de juros passaram a divergir. Parte dos analistas projeta redução de 0,25 ponto percentual, enquanto outra parcela acredita em 0,50 ponto já neste encontro do Copom. O impasse, porém, revela um detalhe relevante para os investidores.

Choque de energia altera leitura da inflação global

A tensão no Golfo Pérsico ganhou força após ataques a petroleiros próximos a portos iraquianos, episódio que levou ao fechamento temporário dessas estruturas de exportação. A interrupção potencial no fluxo da oferta global de petróleo intensificou o receio de um choque energético semelhante ao observado em outros episódios geopolíticos.

Mesmo com a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciando a liberação de cerca de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus membros, o mercado manteve a pressão nos contratos da commodity. Assim, cresce o debate sobre até que ponto a inflação internacional pode voltar a subir nos próximos meses.

Ibovespa acompanha inflação e cenário externo

Nesse contexto, o Ibovespa encerrou o último pregão em 183.969 pontos, com leve avanço de 0,28%, enquanto o dólar terminou a sessão próximo de R$ 5,16. Já o EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, recuava levemente no pré-market.

Além da leitura do IPCA de fevereiro, investidores acompanham nesta quinta-feira a divulgação de resultados de empresas como Ânima, Energisa, Magazine Luiza, Eztec e Grupo Mateus, que ajudam a definir o humor do mercado doméstico.

O que o IPCA de fevereiro pode indicar agora

O IPCA de fevereiro tende a oferecer uma fotografia ainda parcial do impacto da alta recente do petróleo. Ainda assim, o dado funciona como ponto de partida para a decisão do Banco Central sobre o início do ciclo de cortes da Selic.

Se o indicador confirmar desaceleração consistente da inflação, a autoridade monetária terá espaço para iniciar a redução dos juros. Entretanto, caso o choque de energia se prolongue e pressione preços nas próximas leituras, o debate sobre a velocidade desse ciclo poderá dominar o mercado financeiro nos próximos meses.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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