Normas para carros voadores no Brasil entram na agenda regulatória do governo

Carros voadores no Brasil entram na agenda do governo após abertura de consulta pública para criar regras para eVTOLs e drones. O processo reúne empresas, especialistas e órgãos públicos para orientar políticas de mobilidade aérea e infraestrutura urbana. Saiba mais.
carros voadores no Brasil conceito eVTOL mobilidade aérea avançada
Modelo EVE, o eVTOLs, em desenvolvimento por empresa subsidiária da Embraer, que deve circular pelo Brasil em futuro próximo (Foto: Divulgação)

Carros voadores no Brasil passaram a integrar oficialmente a agenda regulatória do governo federal. Na próxima quinta-feira (19/03), o Ministério de Portos e Aeroportos deve iniciar uma tomada de subsídios para estruturar regras para aeronaves elétricas de decolagem vertical (eVTOL) e drones, tecnologia associada à mobilidade aérea avançada para transporte urbano e logística.

A iniciativa busca reunir contribuições de empresas de tecnologia aeronáutica, entidades do setor, especialistas e órgãos públicos. O objetivo é construir uma base técnica para futuras políticas públicas voltadas ao transporte de passageiros e cargas em trajetos curtos, segundo o Ministério.

Carros voadores no Brasil entram no radar regulatório

O levantamento será conduzido pela Secretaria de Aviação Civil em parceria com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). A consulta pretende identificar lacunas no ordenamento jurídico e levantar riscos e oportunidades ligados à operação das novas aeronaves.

De acordo com o secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, o processo de regulação de carros voadores no Brasil vai reunir contribuições de diversos atores. A meta, segundo ele, é “encontrar lacunas no ordenamento jurídico brasileiro, mapear riscos e oportunidades e oferecer diretrizes à segurança das operações”.

Entre os temas analisados estão segurança operacional, gestão do espaço aéreo, infraestrutura urbana, impactos ambientais, defesa do consumidor, capacitação de profissionais e pesquisa e desenvolvimento. O conjunto dessas informações deve orientar a construção de um marco regulatório para o setor.

Regulamentação da mobilidade aérea avançada

Os eVTOLs, os “carros voadores”, são aeronaves elétricas capazes de decolar e pousar verticalmente, dispensando pistas tradicionais. Por isso, empresas do setor, como a Embraer, que realizou testes em 2025, apontam os eVTOLs como alternativa para deslocamentos urbanos rápidos e para operações de logística aérea de curta distância.

Outro ponto avaliado pelo governo envolve a infraestrutura para o uso de carros voadores no Brasil. O país já possui uma ampla rede de helipontos urbanos graças a serviços de transporte privado, que operadores e cidades podem adaptar para funcionar como vertiportos, estruturas projetadas para receber aeronaves desse tipo.

Essa possibilidade, portanto, pode reduzir parte do investimento inicial necessário para operações comerciais. Além disso, a transição poderia estimular novos projetos na indústria aeronáutica brasileira e em empresas de tecnologia ligadas à mobilidade aérea.

Carros voadores no Brasil e o cenário internacional

O avanço regulatório ocorre enquanto outros países já estruturam regras para o setor. A China autorizou a primeira operação comercial com eVTOLs, enquanto Estados Unidos, União Europeia e Japão desenvolvem normas e processos de certificação para essas aeronaves.

No Brasil, especialistas do setor apontam que a ausência de um marco legal específico ainda limita a previsibilidade para investidores e operadores interessados em explorar o mercado.

Nesse contexto, a consulta aberta pelo Ministério dos Portos e Aeroportos representa uma etapa preparatória para organizar o ambiente regulatório. Ao reunir contribuições técnicas e institucionais, o processo pode orientar decisões sobre segurança aérea, infraestrutura urbana, regulação tecnológica e modelos de operação, elementos centrais para viabilizar carros voadores no Brasil.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

Mais lidas

Últimas notícias