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Justiça barra venda de bens ligados ao Banco Master após indícios de desvios

A venda de bens ligados ao Master foi suspensa por decisão judicial após indícios de transferências irregulares. A medida busca preservar ativos para credores durante a liquidação. Saiba mais.
venda de bens ligados ao Master suspensa pela Justiça em São Paulo
Decisão inclui alerta em cartórios e na CVM para impedir negociação de ativos sob disputa judicial (Foto: Reprodução)

A venda de bens ligados ao banco Master foi suspensa pela Justiça de São Paulo nesta terça-feira (17/03), em decisão liminar da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, após a identificação de transferências bilionárias consideradas atípicas no período que antecedeu a liquidação do banco.

A medida atinge ativos vinculados à instituição e ao ex-controlador Daniel Vorcaro, que teve sua prisão mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira (13/03). O pedido partiu da EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação, que apontou indícios de uso de estruturas financeiras para deslocamento de recursos do patrimônio do banco.

Venda de bens ligados ao Master entra no foco da Justiça

Segundo a petição, fundos como Astralo 95, Termopilas e Galo Forte aparecem entre os veículos utilizados para movimentação de valores. A ação também inclui empresas ligadas ao grupo, além de sócios, familiares e estruturas associadas ao antigo controlador.

Além da suspensão das negociações envolvendo venda de bens ligados ao banco Master, o juiz Adler Batista Oliveira Nobre determinou o registro de protestos em cartórios, juntas comerciais e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O objetivo, portanto, é impedir a transferência de ativos sem que terceiros tenham ciência da disputa judicial.

Além disso, a decisão considera que, sem essa medida, haveria risco de alienação de bens potencialmente relevantes para o ressarcimento de credores no processo de liquidação.

Transferências e uso de ativos entram no radar das apurações

Os documentos que embasam a ação contra venda de bens ligados ao Master indicam movimentações sem justificativa econômica clara. Um dos exemplos envolve um repasse de R$ 285,8 milhões entre fundos às vésperas da liquidação da instituição.

Segundo os autos, parte dos recursos teria sido direcionada à aquisição de imóveis de alto padrão. O que, inclusive, inclui uma mansão no Distrito Federal avaliada em mais de R$ 36 milhões. Além de participações societárias registradas em nome de empresas.

Nesse contexto, as investigações se concentram na rastreabilidade de recursos, no uso de fundos de investimento e na identificação de possíveis falhas em controles internos. A apuração também dialoga com investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Venda de bens ligados ao Master e a preservação do patrimônio

Ao conceder a liminar, o magistrado destacou o risco de dissipação patrimonial, o que poderia comprometer a recuperação de valores ao longo do processo. Além disso, segundo ele, a ausência de uma intervenção imediata poderia dificultar o ressarcimento de credores.

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, intensificou o escrutínio sobre a governança corporativa. Além da gestão de ativos e dos mecanismos de supervisão bancária.

Nesse cenário, a suspensão da venda de bens ligados ao Banco Master atua como instrumento de contenção enquanto as apurações avançam. O caso, portanto, amplia a pressão por transparência e reforça a necessidade de controles mais rigorosos em estruturas financeiras complexas.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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