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Fim da escala 6×1 pode encarecer obras e elevar custos no setor

O fim da escala 6x1 pode elevar custos da construção em até R$ 20 bilhões, pressionar preços de imóveis e impactar o ritmo das obras no Brasil.
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Proposta de reduzir jornada pode elevar custos e afetar ritmo das obras no país (Foto: Reprodução)

O fim da escala 6×1 pode elevar em até R$ 20,3 bilhões por ano os custos da construção civil, segundo estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) divulgado nesta sexta-feira (20/03). Em discussão no Congresso, a redução da jornada para 40 horas tende a encarecer a mão de obra e pressionar preços e prazos no setor.

Hoje em R$ 135,3 bilhões, o gasto anual com trabalhadores pode chegar a R$ 155,6 bilhões no cenário mais oneroso. A mudança, portanto, reduziria o total de horas trabalhadas e elevaria o valor pago por hora em cerca de 10%, passando de R$ 15,01 para R$ 16,51, de acordo com a Cbic.

Fim da escala 6×1 pressiona custos do setor

O aumento ocorre em um momento em que o custo da construção civil já avança acima da inflação geral. O INCC acumulou alta de 5,81% em 12 meses até janeiro de 2026, puxado principalmente pela mão de obra, que subiu 8,93%, frente a 4,44% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Nesse contexto, a economista-chefe da Cbic, Ieda Vasconcelos, afirma que mudanças na jornada precisam considerar efeitos econômicos e sociais. Segundo ela, decisões desse porte devem se basear em dados e na realidade operacional do setor.

Redução da jornada afeta ritmo das obras

Para compensar a perda de cerca de 600 mil horas de trabalho por ano, com o fim da escala 6×1, o setor da construção civil avalia três caminhos. O primeiro é desacelerar obras, o que pode reduzir a oferta imobiliária e alongar prazos de entrega.

A segunda alternativa é contratar mais. Seriam necessários cerca de 288 mil novos trabalhadores, com custo adicional estimado em R$ 13,5 bilhões por ano. No entanto, segundo o vice-presidente da Cbic, Eduardo Aroeira, a falta de profissionais limita essa opção.

Já a terceira saída seria ampliar o uso de horas extras. Nesse cenário, o custo adicional pode chegar a R$ 20,3 bilhões anuais, considerando encargos trabalhistas e adicional de 50%, o que amplia a pressão sobre a estrutura de custos e a rentabilidade dos projetos.

Fim da escala 6×1 amplia pressão estrutural

O presidente da Cbic, Renato Correia, afirma que o debate precisa considerar a baixa produtividade do trabalho e a escassez de mão de obra. Segundo ele, mudanças sem esse diagnóstico podem comprometer a capacidade de execução das empresas.

Além disso, o impacto tende a ser maior entre micro e pequenas empresas, que representam 98,7% dos mais de 300 mil estabelecimentos. Em projetos de habitação popular, como o Minha Casa Minha Vida, a mão de obra chega a quase 60% do custo total.

Mesmo com criação de 87.878 vagas em 2025 e expectativa de crescimento de 2% em 2026, o setor ainda opera 9,43% abaixo do pico de 2014. Nesse cenário, o fim da escala 6×1 surge como um novo fator de pressão sobre custos, oferta e capacidade de entrega no mercado imobiliário.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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