A arrecadação federal em fevereiro atingiu R$ 222,117 bilhões, com alta real de 5,68% sobre o mesmo mês do ano anterior, segundo informações da Receita Federal, divulgadas nesta terça-feira (24/03). O resultado, portanto, estabelece o maior nível já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995.
Além disso, o desempenho reforça o ritmo de entrada de recursos no início do ano. No acumulado de janeiro e fevereiro, a receita somou R$ 547,869 bilhões, com avanço real de 4,41%, também no maior patamar para o período.
Arrecadação federal em fevereiro expõe força dos tributos administrados
A estrutura da arrecadação revela uma concentração nos tributos administrados diretamente pela Receita Federal. Esses valores chegaram a R$ 215,210 bilhões, com crescimento real de 6,17%, sustentando o resultado consolidado do mês.
Por outro lado, as receitas administradas por outros órgãos recuaram 7,46%, totalizando R$ 6,907 bilhões. A queda reflete principalmente a oscilação dos royalties de petróleo, que possuem maior volatilidade e menor previsibilidade no curto prazo.
Juros elevados e consumo sustentam avanço da receita tributária
Entre os componentes que puxaram a arrecadação federal em fevereiro, alguns tributos concentraram os principais ganhos:
- O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) avançou R$ 2,289 bilhões, com alta de 35,7% sobre janeiro, refletindo o efeito das alíquotas mais altas adotadas anteriormente
- O Imposto de Renda sobre rendimentos de capital cresceu 19,4%, impulsionado pelo ambiente de juros elevados, que amplia os ganhos em aplicações de renda fixa
- Já os tributos ligados ao consumo também contribuíram para o resultado, com destaque para o PIS/Cofins, que subiu 8,5%, acompanhando a expansão do setor de serviço.
Além disso, atividades relacionadas à extração de petróleo ajudaram a sustentar a base de arrecadação no período
Arrecadação federal em fevereiro revela mudança na base de receitas
O resultado indica uma combinação de fatores conjunturais e estruturais na formação da receita. De um lado, a dinâmica de juros favorece tributos financeiros; de outro, a atividade econômica sustenta impostos sobre consumo e produção.
Além disso, a diferença entre receitas administradas e outras fontes expõe a dependência de componentes mais estáveis para sustentar o caixa federal. Isso ocorre porque itens como royalties tendem a oscilar com preços internacionais e produção.
Nesse contexto, segundo os números da Receita Federal, a arrecadação federal em fevereiro reforça um início de ano com base fiscal mais robusta, mas também revela uma mudança na composição da receita, com maior peso de tributos ligados ao sistema financeiro e menor contribuição relativa de receitas voláteis. Portanto, um sinal relevante para a leitura das contas públicas ao longo de 2026.



