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Fintechs no Brasil: o que ninguém está vendo além da Inteligência Artificial

No meu artigo de hoje, analiso por que fintechs no Brasil crescem além da inteligência artificial e como modelos baseados em folha de pagamento, como o da BScash, mostram que o verdadeiro diferencial está no controle do fluxo financeiro e na integração com as empresas.
Ilustração de Rafaela Mota CEO da BScash sobre fintechs no Brasil, crédito digital e inovação financeira
Rafaela Mota, CEO da BScash, analisa o crescimento das fintechs no Brasil e o papel da inovação financeira

A inteligência artificial tem ganhado protagonismo no avanço das fintechs no Brasil, que vivem um momento de forte expansão impulsionado pelo crédito digital, pela digitalização das empresas e pelo avanço das instituições de pagamento reguladas pelo Banco Central (BC). Ainda assim, há um ponto central que passa despercebido no debate: o crescimento do setor não é explicado apenas por essa tecnologia.

A inteligência artificial tem papel relevante nesse avanço, melhora a análise de crédito, reduz riscos e amplia a personalização. No entanto, na prática, operando dentro do setor, fica evidente que esse movimento está ancorado em algo mais estrutural: a forma como essas empresas se posicionam dentro do fluxo financeiro.

O crescimento das fintechs no Brasil está diretamente ligado à capacidade de integrar serviços financeiros ao cotidiano das empresas, especialmente em sistemas de pagamento de folha, gestão de benefícios e oferta de crédito digital.

Fintechs no Brasil e o mito da IA como motor de crescimento

A ideia de que a inteligência artificial é o principal motor das fintechs no Brasil ganhou força à medida que o capital global passou a priorizar empresas com forte apelo tecnológico. Em muitos casos, posicionar-se como empresa de IA se tornou quase uma exigência para atrair investimento.

Estimativas indicam que o mercado global de inteligência artificial aplicada a fintechs já movimenta mais de US$ 30 bilhões por ano e pode ultrapassar US$ 45 bilhões em 2026, segundo projeções da Fortune Business Insights. Além disso, dados da PwC mostram que cerca de 67% das fintechs já utilizam inteligência artificial em suas operações.

Esse cenário reforça uma percepção importante: a tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de competitividade.

Mas, se praticamente todas as fintechs têm acesso à inteligência artificial, e muitas também conseguem captar recursos no mercado, por que apenas algumas crescem de forma consistente?

A resposta está no acesso ao fluxo financeiro recorrente, como salários, pagamentos mensais e movimentações contínuas, e na capacidade de operar dentro desse ciclo.

O avanço das empresas financeiras digitais vai além da IA

Os dados ajudam a reforçar essa leitura. O volume de crédito concedido por fintechs de crédito digital cresceu 68% entre 2023 e 2024, impulsionado pela expansão da base de empresas atendidas. No mesmo período, o número de clientes pessoa jurídica, ou seja, empresas, avançou 67%, segundo pesquisa da PwC Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD).

Esse crescimento está diretamente ligado à ampliação de acesso e à simplificação das operações.

Mais do que tecnologia, as fintechs no Brasil passaram a atuar como infraestrutura financeira. Deixaram de ser apenas aplicativos e passaram a operar dentro das empresas, conectando pagamentos, gestão financeira e serviços digitais.

Nesse cenário, a inteligência artificial atua como aceleradora, melhora decisões, reduz riscos e aumenta eficiência. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com segurança cibernética, que se torna elemento central para a sustentabilidade das operações no setor.

Fintechs no Brasil e o novo campo de disputa na folha de pagamento

Um exemplo claro dessa mudança é o modelo da BScash, fintech especializada em gestão de folha de pagamento digital para empresas. Estruturada como instituição de pagamento, a empresa integra sistema de pagamento de folha, conta digital e serviços financeiros em uma única operação.

Isso permite atuar diretamente sobre o fluxo financeiro recorrente, acompanhando de forma contínua a dinâmica de renda e uso dos recursos. Nesse contexto, a tecnologia, incluindo inteligência artificial, melhora a eficiência e torna o crédito digital mais preciso.

O diferencial está na origem, na forma como o serviço é distribuído e integrado à rotina das empresas.

Esse modelo reduz o custo de aquisição de clientes e aumenta a retenção, já que o relacionamento deixa de ser pontual e passa a ser contínuo e estruturado. Além disso, ao operar sobre o fluxo financeiro, estruturas como a da BScash não dependem de funding externo para sustentar a oferta de crédito, o que confere maior autonomia, previsibilidade e eficiência na alocação de capital.

A inovação das fintechs está na integração, não apenas na tecnologia

O mercado global tem direcionado capital para empresas financeiras ligadas à inteligência artificial, influenciando o posicionamento das fintechs. No entanto, no Brasil, a inovação mais relevante está na integração entre serviços financeiros e operação empresarial.

Fintechs que se conectam à rotina das empresas, especialmente em processos como a folha de pagamento digital dos colaboradores, constroem vantagens competitivas mais sólidas. Elas deixam de oferecer serviços isolados e passam a atuar como extensão da operação financeira.

Essa realidade também aparece na regulação. O Banco Central elevou o capital mínimo das instituições de pagamento de R$ 9 milhões para até R$ 32,8 milhões, considerando o porte e as atividades dessas empresas, com prazo de adaptação até 2027. A medida reforça a exigência por modelos mais estruturados e sustentáveis, aproximando as fintechs das regras aplicadas aos bancos tradicionais.

O futuro das fintechs no Brasil passa pela infraestrutura financeira

Para quem observa o setor de fora, esse pode parecer um debate técnico. Mas ele impacta diretamente empresas e trabalhadores. Sempre que um salário é pago com mais agilidade, ou quando o acesso ao crédito digital melhora, há uma fintech operando nos bastidores.

Por isso, ao analisar o crescimento das fintechs no Brasil, é preciso ir além da inteligência artificial. O diferencial competitivo está na capacidade de operar como infraestrutura financeira, integrando folha de pagamento, serviços digitais e crédito de forma contínua.

Estruturas como a da BScash evidenciam essa dinâmica ao conectar empresas e colaboradores em uma única operação financeira.

A inteligência artificial seguirá como aceleradora nas fintechs brasileiras. Mas o crescimento real continuará sendo definido por quem estiver mais próximo da operação financeira cotidiana.

Porque, no fim, não se trata apenas de tecnologia, mas de quem está, de fato, dentro do fluxo financeiro.

*Artigo por Rafaela Mota — cofundadora e CEO da BScash, com formação em Administração pela Unifor e MBAs pelo COPPEAD/UFRJ e pela FGV.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.

Foto de Rafaela Mota

Rafaela Mota

Rafaela Mota é cofundadora e CEO da BScash, fintech especializada em folha de pagamento digital e soluções financeiras para empresas. Possui formação em Administração pela Unifor e MBAs pelo COPPEAD/UFRJ e pela FGV.

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