Petroleira mais lucrativa do mundo, Petrobras entra em alerta sobre dividendos

A Petrobras virou a petroleira mais lucrativa do mundo no 1T26, mas mercado passou a focar dívida, caixa e risco para dividendos após piora financeira.
Fachada de unidade da Petrobras após estatal liderar ranking de petroleiras mais lucrativas do mundo no 1T26
Liderança global da Petrobras em lucro no 1T26 ampliou debate do mercado sobre caixa, dívida e sustentabilidade dos dividendos da estatal (Foto: Divulgação/Petrobras)

A Petrobras (PETR3; PETR4) terminou o primeiro trimestre de 2026 como a petroleira mais lucrativa do mundo entre empresas do setor avaliadas acima de US$ 50 bilhões. A estatal superou outras gigantes internacionais do setor, como Shell e Exxon Mobil, sendo a única companhia brasileira em todo o ranking.

Mesmo com a liderança global, o mercado reagiu com cautela ao resultado trimestral divulgado pela Petrobras nessa terça-feira. Investidores passaram a monitorar o avanço da dívida, a piora no fluxo de caixa e o impacto disso sobre os dividendos e as ações PETR4.

Câmbio ajudou Petrobras a abrir vantagem sobre gigantes globais

A liderança da Petrobras entre as petroleiras mais lucrativas do mundo no primeiro trimestre teve um componente decisivo fora da operação: o dólar mais fraco no Brasil ampliou o lucro da estatal quando convertido para moeda americana.

Esse efeito alterou a comparação internacional entre empresas do setor justamente no trimestre em que Shell, Exxon Mobil e Chevron entregaram resultados mais pressionados.

Entre as petroleiras mais lucrativas do mundo no 1T26, temos::

  • Petrobras: US$ 6,25 bilhões
  • Shell: US$ 5,69 bilhões
  • Exxon Mobil: US$ 4,18 bilhões
  • BP: US$ 3,84 bilhões
  • Occidental Petroleum: US$ 3,34 bilhões
  • Equinor: US$ 3,10 bilhões
  • Chevron: US$ 2,21 bilhões
  • ConocoPhillips: US$ 2,18 bilhões
  • EOG Resources: US$ 1,98 bilhão
  • Suncor Energy: US$ 1,51 bilhão

A liderança da Petrobras, porém, não veio acompanhada de melhora proporcional nos indicadores mais observados pelo mercado. Em reais, o lucro caiu de R$ 35,2 bilhões para R$ 32,6 bilhões na comparação anual.

O principal fator por trás da virada global foi o câmbio. Com o dólar médio mais baixo no trimestre, o lucro da Petrobras ganhou força quando convertido para moeda americana, referência usada internacionalmente para comparar grandes petroleiras.

A produção recorde no pré-sal e a alta recente do Brent tambémajudaram a sustentar os resultados da estatal. Mesmo assim, investidores passaram a olhar menos para o tamanho do lucro e mais para a capacidade da companhia de transformar esse desempenho em geração consistente de caixa.

Lucro elevado já não basta para sustentar otimismo em PETR4

Apesar de ser a petroleira mais lucrativa do mundo, parte do mercado passou a enxergar deterioração em indicadores considerados mais importantes para sustentar dividendos robustos.

O Ebitda ajustado ficou em R$ 59,6 bilhões, queda anual de 2,4%. Sem ajustes contábeis, o indicador teria atingido R$ 62,88 bilhões.

A Petrobras incluiu nos ajustes:

  • impairment
  • alienação de ativos
  • acordos de coparticipação
  • participação em investimentos

O fluxo de caixa livre perdeu força enquanto os investimentos cresceram em ritmo acelerado. No trimestre, a Petrobras investiu US$ 5,1 bilhões, alta anual de 25,6%.

O segmento de Exploração e Produção concentrou 87,4% dos investimentos realizados pela companhia.

A receita de vendas atingiu R$ 123,86 bilhões, avanço anual de apenas 0,4%, desempenho considerado limitado diante da alta recente do petróleo no mercado internacional.

Dívida maior amplia pressão sobre petroleira mais lucrativa do mundo

A dívida líquida da Petrobras avançou para US$ 62 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O movimento ocorreu justamente no trimestre em que a estatal assumiu a liderança global de lucro entre as grandes petroleiras.

A combinação entre investimentos mais altos, piora do fluxo de caixa e crescimento da dívida começou a mudar a percepção do mercado sobre a companhia. O lucro elevado deixou de sustentar sozinho o otimismo em torno de PETR4.

A preocupação ganhou força porque dividendos continuam no centro da tese de investimento da Petrobras. Sempre que a geração de caixa perde força, aumenta a pressão sobre a capacidade da estatal de manter distribuições extraordinárias nos próximos trimestres.

O que o mercado passou a enxergar após o balanço

Parte dos analistas ainda aposta em melhora no segundo trimestre com a alta recente do Brent e o avanço da produção no pré-sal. Caso o petróleo permaneça em níveis elevados, a Petrobras poderá recuperar parte da geração de caixa perdida no início do ano.

A Petrobras terminou o trimestre como a petroleira mais lucrativa do mundo, mas o resultado também deixou claro que a disputa agora não envolve apenas lucro bilionário. O mercado passou a cobrar sustentabilidade financeira da estatal em um momento de investimentos mais altos e pressão crescente sobre o caixa.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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