A Garfield AI se tornou o primeiro escritório de advocacia com IA a vencer uma ação judicial após utilizar a tecnologia para preparar praticamente toda a documentação do processo. O caso terminou com uma decisão favorável a uma freelancer que buscava recuperar 7 mil euros (cerca de R$ 41 mil) em honorários não pagos.
A tecnologia foi responsável por elaborar correspondências prévias, petições, formulários processuais e declarações de testemunhas. Apenas a sustentação oral no tribunal ficou a cargo de um advogado humano.
O resultado chama atenção porque atinge um dos principais obstáculos do sistema judicial: o alto custo de cobrar judicialmente dívidas de menor valor.
Escritório de advocacia com IA reduz custo para recuperar dívidas
Para contratar os serviços do escritório, a autora da ação, Tamires Camal Taquidir, desembolsou cerca de 400 euros (próximos de R$ 2,4 mil). Segundo a Garfield AI, o valor cobriu a preparação da documentação necessária para levar o caso à Justiça.
Em modelos tradicionais, disputas semelhantes podem exigir a contratação de solicitadores, advogados especializados e serviços de apoio processual, elevando significativamente os custos da cobrança.
A proposta da Garfield, no entanto, é reduzir justamente a parcela mais cara do trabalho jurídico: as atividades repetitivas e documentais.
O escritório de advocacia oferece cartas de cobrança a partir de 2 euros (cerca de R$ 12) e protocolos de ações judiciais a partir de 50 euros (aproximadamente R$ 295), utilizando IA para executar tarefas que normalmente consumiriam horas de trabalho humano. A lógica econômica é simples: quanto menor o custo para ajuizar uma ação, maior o número de cobranças que se tornam financeiramente viáveis.
Advogado de IA amplia acesso à Justiça para pequenos credores
O modelo da Garfield, segundo a própria empresa, não busca substituir grandes bancas especializadas em disputas complexas. O foco está em cobranças de pequeno e médio valor que frequentemente ficam fora do alcance econômico do sistema jurídico tradicional.
A empresa afirma ter processado mais de 600 ações e recuperado aproximadamente 500 mil euros para clientes desde o início das operações.
Entre os principais tipos de clientes do escritório de advocacia com IA estão:
- Freelancers;
- Prestadores de serviço;
- Microempresas;
- Profissionais autônomos;
- Pequenos empresários.
Esse grupo costuma enfrentar dificuldades para recuperar créditos porque os custos jurídicos muitas vezes consomem parte relevante do valor devido. Ao reduzir despesas operacionais, a IA cria um novo modelo de acesso à Justiça baseado em escala e automação.
Escritório de advocacia com IA amplia debate sobre responsabilidade jurídica
A vitória e aceitação profissional da Garfield AI não encerram a discussão sobre o uso da inteligência artificial no Direito. Pelo contrário. O caso amplia questionamentos sobre responsabilidade profissional, confiabilidade dos sistemas e os limites éticos da automação em atividades tradicionalmente exercidas por advogados.
O próprio regulador britânico autorizou a operação da empresa apenas sob regras de supervisão e responsabilização humana. A cautela ganhou força após casos recentes em que tribunais no Reino Unido e nos Estados Unidos identificaram informações falsas geradas por IA em documentos judiciais.
Embora a tecnologia prometa reduzir custos e ampliar o acesso a serviços jurídicos, reguladores e especialistas defendem que decisões legais continuam exigindo julgamento humano. Assim como verificação rigorosa dos fatos e responsabilidade profissional.
A discussão sobre IA na advocacia deixou de ser apenas tecnológica
A relevância do caso envolvendo escritório de advocacia com IA vai além da inovação. Ao vencer uma ação após utilizar inteligência artificial para preparar toda a documentação do processo, a Garfield mostrou que o debate passou a envolver também o custo dos serviços jurídicos.
Se modelos semelhantes de inteligência artificial ganharem escala, a pressão tende a recair sobre atividades padronizadas, como cobranças, elaboração de documentos e procedimentos repetitivos. Nesse cenário, o principal desafio para o setor não será apenas adotar novas tecnologias. Está em redefinir quais serviços continuarão dependendo do trabalho humano e quais poderão ser executados de forma automatizada.





