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Operação Exchange liga investigação da PF à ofensiva dos EUA contra suspeitos ligados ao PCC

A Operação Exchange aproximou a investigação da PF das sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos. Entenda quem são os alvos, o que a PF investiga e por que o caso ganhou dimensão internacional.
Viatura da Polícia Federal durante a Operação Exchange, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro com movimentações superiores a R$ 10 bilhões.
Operação Exchange investiga um esquema de lavagem de dinheiro com movimentações superiores a R$ 10 bi, segundo a PF. (Foto: Divulgação/PF)

A Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (03/07), ampliou a cooperação indireta entre Brasil e Estados Unidos no combate à lavagem de dinheiro do tráfico internacional. A principal ação da operação foi a prisão de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelo governo americano por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Embora a investigação brasileira e as sanções americanas sejam juridicamente independentes, elas recaem sobre parte dos mesmos investigados e descrevem estruturas financeiras semelhantes. Essa convergência aumenta a pressão sobre pessoas e empresas suspeitas de movimentar recursos do crime organizado em diferentes países.

Segundo a Polícia Federal, a organização utilizava criptomoedas, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e transferências entre pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos.

A coincidência entre as duas ações fortalece o cerco internacional contra o patrimônio dos investigados, mesmo sem indicar que as autoridades brasileiras tenham aderido às conclusões do governo americano sobre eventual vínculo com o PCC.

Como a Operação Exchange se conecta às sanções dos Estados Unidos

A prisão de Stella ocorreu apenas dois dias após o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) incluí-la na lista de pessoas e empresas sancionadas pelos Estados Unidos.

No comunicado americano, Stella aparece como colaboradora e parente de Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como responsável por conectar operadores do PCC na Flórida a traficantes internacionais. Segundo o Tesouro dos EUA, a estrutura teria lavado mais de US$ 30 milhões utilizando criptomoedas e empresas para movimentar recursos entre os dois países.

Já a Polícia Federal informou que a Operação Exchange investiga uma organização suspeita de movimentar mais de R$ 10 bilhões por meio de um sistema financeiro estruturado. A corporação, porém, não atribuiu oficialmente ligação da investigação com facções criminosas nas informações divulgadas sobre a operação.

O que a Polícia Federal investiga na Operação Exchange

Mais de 50 agentes cumpriram 13 mandados de busca e apreensão. Além de 11 mandados de prisão temporária, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Além das prisões pela Operação Exchange, a Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos de até R$ 10,4 bilhões.

Segundo a PF, o grupo investigado utilizava diferentes mecanismos para movimentar recursos:

  • Transferências de criptoativos;
  • Transporte de valores, inclusive em espécie;
  • Operações bancárias de alto valor;
  • Repasses entre pessoas físicas e jurídicas.

A análise preliminar identificou movimentações superiores a R$ 10 bilhões, valor que ainda será submetido ao aprofundamento das investigações.

Por que a convergência entre PF e EUA aumenta a pressão sobre os investigados

As sanções do OFAC bloqueiam bens sob jurisdição americana e proíbem cidadãos e empresas dos Estados Unidos de realizar negócios com os alvos. Além disso, instituições financeiras estrangeiras podem enfrentar restrições caso mantenham determinadas operações com pessoas sancionadas.

No Brasil, a investigação sob a Operação Exchange segue as regras do processo penal brasileiro e depende das provas produzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Mesmo assim, a combinação entre investigações criminais no Brasil e sanções financeiras nos Estados Unidos amplia o isolamento patrimonial dos investigados. E, inclusive, reforça a cooperação internacional no combate à lavagem de dinheiro transnacional.

Victor Shimada, apontado pelos Estados Unidos como operador financeiro da estrutura investigada, continua foragido. Antes mesmo das sanções americanas, ele já respondia a processos no Brasil relacionados a crimes financeiros, incluindo a investigação sobre o caso Vai de Bet e Corinthians.

A Operação Exchange representa, assim, um novo capítulo desse caso ao aproximar duas frentes distintas de atuação estatal.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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