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Avanço do Brasil na Copa do Mundo deve elevar em 20% o movimento de bares e restaurantes

A classificação do Brasil para as oitavas amplia a expectativa de consumo durante o jogo contra a Noruega e reforça a perspectiva de receita para um setor que ainda enfrenta margens apertadas e dificuldades financeiras.
Torcedores acompanham jogo da Seleção Brasileira em um bar durante a Copa do Mundo, com o estabelecimento lotado.
Classificação do Brasil eleva a expectativa de movimento em bares e restaurantes durante a Copa do Mundo. (Foto: Reprodução)

A classificação da Seleção Brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo pode representar mais do que uma boa notícia para os torcedores. Para os bares e restaurantes, o avanço do Brasil na Copa do Mundo aumenta a perspectiva de faturamento em um momento em que muitas empresas ainda tentam recuperar a rentabilidade depois de um período de margens pressionadas e dificuldades para recompor preços.

A expectativa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) é de que o movimento dos estabelecimentos cresça, em média, 20% durante a partida contra a Noruega, neste domingo (05/07). A estimativa considera o aumento nas reservas, na procura por mesas e na interação dos consumidores nas redes sociais observados por empresários em diferentes regiões do país.

O impacto pode ser relevante porque o setor ainda atravessa uma recuperação desigual. Pesquisa recente da Abrasel mostra que apenas 39% dos estabelecimentos encerraram maio com lucro, enquanto 41% operaram no equilíbrio financeiro e 19% fecharam o mês no prejuízo. Além disso, 37% das empresas relataram pagamentos em atraso, principalmente de tributos federais e estaduais.

Receita cresce, mas recuperar as margens ainda é desafio

Mesmo quando conseguem ampliar as vendas, muitos empresários encontram dificuldades para transformar esse aumento de receita em rentabilidade. Apenas 8% dos entrevistados pela Abrasel conseguiram reajustar preços acima da inflação nos últimos 12 meses. A maioria elevou os valores abaixo da inflação ou sequer conseguiu fazer reajustes.

Nesse contexto, eventos de grande mobilização nacional, como a Copa do Mundo, ganham importância para o caixa das empresas. A permanência da Seleção na competição tende a prolongar o fluxo de clientes nas próximas semanas. Criando, portanto, oportunidades de consumo em um período tradicionalmente favorável para bares e restaurantes.

A expectativa também aparece nas projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A entidade estima que os bares e restaurantes movimentem R$ 2,42 bilhões, em valores reais, durante toda a Copa do Mundo. O resultado representa crescimento de 15,7% em relação ao Mundial de 2022, quando o faturamento ficou em R$ 2,09 bilhões.

Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o avanço da Seleção nas fases eliminatórias tende a estimular o consumo fora de casa. Ampliando, assim, o desempenho do setor durante o torneio.

Indicadores já mostram aumento no consumo durante os jogos da Copa do Mundo para bares e restaurantes

Os primeiros resultados da competição indicam que esse comportamento já começou a aparecer. Levantamento da TOTVS Linx, divulgado pelo Times Brasil, mostrou que o faturamento dos bares aumentou 91% durante a vitória da Seleção sobre o Japão, em comparação com a média registrada nos seis primeiros meses de 2025. Na comparação com uma segunda-feira comum de maio, o crescimento chegou a 143%.

O cenário também se reflete na percepção dos empresários. Ao redor do país, estabelecimentos registraram público muito superior ao observado nas partidas anteriores do Brasil. A tendência para o setor de bares e restaurantes é a de que a demanda para acompanhar o confronto contra a Noruega supere a de um domingo convencional.

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, uma campanha longa da Seleção pode manter esse ambiente favorável ao consumo ao longo de julho. Se o Brasil continuar avançando na Copa, bares e restaurantes poderão prolongar o aumento do movimento justamente em um período importante para fortalecer o caixa e sustentar a recuperação financeira do setor.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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