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Ser herdeiro é um privilégio, desafio ou problema? – Por Aleteia Lopes

Especialista em gestão de empresas familiares

*Coluna por Aletéia Lopes, 01/08/2022

Quem não aspira a uma carreira profissional bem-sucedida? Estudar, se dedicar, batalhar, conseguir um lugar de reconhecimento no mercado de trabalho não é o sonho de poucos profissionais, mas sim daqueles que se dedicam a qualquer tipo de trabalho. Mas no caso de um herdeiro, infelizmente, esse anseio de deslanchar em sua carreira, muitas vezes é podado. Esse corte, por vezes, acontece justamente por quem deveria estar mais próximo dele, dando o apoio necessário: a sua própria família.

Dessa forma, o herdeiro acaba não tendo muita escolha, porque a carreira dele já foi traçada matematicamente pelos pais, desde quando ele era pequeno, de acordo com o comportamento que apresentou na infância e adolescência. Mas o que é mais agravante é o herdeiro ter seu futuro traçado pelos pais, simplesmente por ser herdeiro e o seu pai/fundador insistir que ele deve trabalhar com a família, criando assim um cargo exclusivo para ele.

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Dessa forma, podemos perguntar: Ser herdeiro é um privilégio, desafio ou problema?

Quando o Fundador cria uma nova área na empresa, como por exemplo: “o Departamento de Redes Sociais” – um setor que não se encontra nem mesmo em uma gigante multinacional – somente para conseguir dar um cargo “importante” para aquele filho que não conseguia se encaixar na companhia. O Departamento de Redes Sociais é criado só para que esse filho trabalhe e encontre um espaço na empresa, simplesmente porque “a carreira dele tem que ser dentro da empresa da família”. Nesse momento, herdar se torna um problema, porque o olhar de todos é reduzido a uma única forma, a um único caminho para o herdeiro.

Então, provavelmente qual será o futuro da carreira desse rapaz? Como ninguém da empresa – nem mesmo ele – sabe exatamente quais são os processos diários de um Departamento de Redes Sociais, ele passará o dia sentado à frente de seu computador, mexendo no celular, jogando, vendo vídeos ou séries na internet, fazendo de tudo, inclusive acessando as próprias redes sociais. O pior disso tudo é que a empresa tem um gasto desnecessário, pagando um alto salário para um funcionário que não quer trabalhar e não produz absolutamente nada naquele local. Tudo isso simplesmente para sustentar a ilusão de que ele, como os outros herdeiros, está seguindo a linha de sucessão da família na empresa. Além de causar uma grande insatisfação nos outros irmãos, que estão ocupando cargos por competência e recebendo o mesmo valor de salário.

Se a sensibilidade e habilidade para resolver as questões mencionadas acima não partir dos pais, será preciso que o filho se posicione quanto ao assunto. Esse filho precisa romper com essa imposição dos pais e dizer que não quer ser o “Diretor do Departamento de Redes Sociais” da empresa da família. Ele precisa conversar claramente e revelar quais são realmente os planos de carreira dele de forma amigável. Talvez ele queira ser músico, por exemplo, então precisa tratar disso com seu pai, o fundador. Mas vamos ser realistas. Essa conversa nem sempre é possível e quando porventura acontece, na maioria das vezes, não é fácil e nem amigável.

Por mais “pitoresca” que pareça essa história, infelizmente ela é a realidade de muitas empresas familiares que eu já atendi. Um dos filhos não se encaixa em nenhum setor da empresa e acaba sendo forçado pelos pais a ocupar algum cargo qualquer lá dentro, só para justificar o alto salário que ele tem diante dos outros irmãos e dos colaboradores e acionistas.

Diante dessa situação, trago alguns questionamentos para reflexão:

  •         Quer dizer que todos os filhos herdeiros de uma família empresária para terem carreiras brilhantes precisam trabalhar na empresa da família?
  •         Nenhum deles poderia se revelar um grande empreendedor, assim como o pai ou avô, e montar uma grande empresa, até mesmo maior do que a dos seus antecessores?
  •         Será que é legal que todo mundo vá para dentro da empresa? A família cresce de forma exponencial, diferente do negócio. Na primeira geração eram só dois filhos, depois quatro netos, e depois seis bisnetos. Como é que um negócio pode dar conta de uma família tão grande?

São alguns pensamentos limitantes que infelizmente impedem de enxergar oportunidades dentro da própria empresa familiar ou fora dela. Trazendo ao herdeiro mais desafios e problemas do que privilégios.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

 

 

 

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