Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Agroicone revelou que o cultivo sustentável da cana-de-açúcar desempenha um papel crucial na redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) no Brasil. Segundo a pesquisa, as práticas de manejo sustentável eliminaram aproximadamente 9,8 milhões de toneladas de CO2 por ano nas últimas duas décadas, totalizando 196 milhões de toneladas.
Sustentabilidade e ganhos ambientais no cultivo de cana
A contribuição ambiental do cultivo da cana vai além das áreas agrícolas. A pesquisa aponta uma redução de 17 milhões de toneladas de CO2 anualmente, considerando o território agrícola total. Investimentos em mudanças no uso da terra têm sido fundamentais para alcançar esse resultado, reforçando a sustentabilidade na produção de energia renovável.
O setor também evoluiu com a mecanização da colheita, que substituiu a queima manual dos canaviais. Esse avanço tecnológico aumentou a eficiência produtiva e reduziu altamente as emissões de gases do efeito estufa. O estudo destacou ainda que 25% das áreas de cultivo já existiam em 2000, enquanto a expansão de 6,1 milhões de hectares foi majoritariamente em áreas anteriormente ocupadas por pastagens, culturas anuais e mosaicos agrícolas.
O impacto internacional do cultivo sustentável
Os resultados mostram que o cultivo sustentável da cana-de-açúcar não apenas melhora o desempenho ambiental, mas também fortalece a imagem do Brasil no cenário global. Em um momento de críticas ao desmatamento, as práticas adotadas pelo setor comprovam que é possível aliar desenvolvimento econômico à preservação ambiental.
Amilcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), destacou a importância desse estudo para o agronegócio brasileiro.
“É um exemplo claro de como o setor agrícola pode ser protagonista na mitigação das mudanças climáticas. Ao investir em tecnologias sustentáveis e práticas modernas de manejo, mostramos ao mundo que o Brasil é capaz de produzir com responsabilidade, equilibrando economia e preservação ambiental,” afirmou.
Para ele, iniciativas como essa são essenciais para rebater críticas internacionais ao agronegócio brasileiro e devem servir de modelo para outros setores.
“Precisamos aproveitar esse momento para expandir práticas sustentáveis em outras culturas e consolidar o Brasil como referência global em agricultura sustentável,” acrescentou.
Com apenas 1,6% da expansão sobre áreas de vegetação natural, o cultivo de cana reafirma o compromisso do agronegócio brasileiro com o desenvolvimento sustentável.



