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Povos do Mar e as redes de afetividade, ensino e aprendizagem – Por Paulo Leitão

Fonte: Shutterstock

Mais de 150 jangadeiros da Vila do Mar, das praias de Iparana, do Mucuripe e do Serviluz navegando em 55 Jangadas, com velas pintadas por 16 artistas visuais cearenses. Eles levaram cor à Beira Mar de Fortaleza ao abrir o XIII Encontro Sesc Povos do Mar neste mês de junho, na Enseada do Mucuripe, com o Projeto Sesc Aquavelas.

O encontro do Sesc, que ocorreu de 18 a 22 de junho, proporcionou intercâmbios e conexões inovadoras da divisa com o Rio Grande do Norte à outra ponta do Estado, já colada no Piauí. Durante cinco dias, duzentas comunidades tradicionais distribuídas em 27 municípios compartilharam memórias, culturas alimentares, artesanias, trilhas e vivências (inclusive as náuticas). Tais atividades expressam a culminância de uma programação de visitas e reuniões, mapeamentos socioculturais e construção de Circuitos Sesc Senac com programações sociais e educativas que fortalecem as comunidades em seus territórios.

Do Rio Ceará ao Rio Cocó, ribeirinhos da Sabiaguaba e da Barra do Ceará construíram programações sociais compartilhando suas necessidades e estratégias de organização. Dessa maneira, formaram novos arranjos de sociabilidades por meio de canais de diálogos que enxertam veias de vida nas margens, nos canais e nas gamboas dos Rios que abraçam e alimentam as maiores áreas verdes da nossa cidade: O Mangue do Rio Ceará e o Mangue do Cocó.

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Povos indígenas, ciganos e quilombolas, pescadores, jangadeiros, barqueiros e marisqueiras construíram sentidos e significados, relacionando identidades e territórios e proporcionando trânsitos de práticas e saberes por meio de experiências compartilhadas.

Trata-se de um encontro de redes sociais, permanente e crescente, no qual famílias tradicionais renovam seus repertórios a cada ano, desenvolvendo atividades e revisitando seus saberes para, assim, perceber seus cotidianos como potência criativa e alternativa de renda familiar e comunitária.

São tantas redes sociais que formam o Povos do Mar: povos Indígenas, quilombolas e ciganos residentes no litoral; as redes de artesãos; a rede “Carritilhando”, que une a galera do Surf; as redes de Teatro Bonecos; a rede ”DiCumê”, que une a da cultura alimentar tradicional; a das Brincadeiras de cocos, bois, caninhas verdes, pastoris e dramas, dentre outras. São exemplos de organizações comunitárias que colocam diversas práticas em interface, mostrando que essas formas de existência são complementares e acontecem de forma transversal e intercultural, nas comunidades. O Sesc Ceará desenvolve, assim, uma programação social que pensa a educação comunitária de forma integral, gerando novos conteúdos e imagéticas.

Boa parte do Encontro aconteceu no Hotel Ecológico Sesc Iparana, que possui uma reserva de mata de tabuleiro permeada de trilhas ecológicas e lugares temáticos, como capelinha e casas de veraneio, ambiente perfeito para a edificação de novas formas de Turismo Social. Por lá, se liquefazem o turismo de bases comunitárias e o Turismo de experiência, construindo um conjunto de espaços sincrônicos com atividades sociais variadas e interligadas.

Neste ano, recebemos mais de 17 mil visitantes no equipamento em Iparana. Pelo Projeto Sesc Aquavelas, foram 600 participantes no Mucuripe e 400 no Mercado do Peixe da Vila do Mar, somando mais de 1.000 pessoas em participação direta nas atividades externas, como a corrida de Canoas de Zinga e o Tarrafeando. Foram ações que, a partir do Centro Cultural Albertu’s, coloriram o Rio Ceará. Destaque também para a corrida dos botes de caça em miniatura, para as atividades do Trem Litoral e da trilha do Ecomuseu Natural do Mangue, dentre outras, que somaram mais 2.000 participantes. No total, foram cerca de 20 mil participantes diretos, agentes culturais vivos que retornaram para suas casas e comunidades com o alimento do corpo e da alma.

Nessa perspectiva, o Sesc Ceará inova e gera novas tendências na área social. Constrói “com” e não apenas “para” as comunidades e a sociedade de forma geral.  São redes de afetividade, de ensino e aprendizagem, de ser, estar e existir.

*Opinião – Artigo Por Paulo Leitão – consultor de Programação Social do Serviço Social do Comércio (Sesc Ceará

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.

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