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A trajetória da Tiprogresso se confunde com a história do setor gráfico brasileiro

Família Esteves na fachada da antiga sede onde funcionou por mais de 60 anos

A história da família Esteves com as artes tipográficas remonta ao século XIX, quando Teotônio Esteves de Almeida fundou a Typographia Americana. Essa escolha de nome foi feita devido à existência de outras duas tipografias na cidade naquela época.

Durante a seca de 1877 a 1879, apenas as tipografias que imprimiam jornais políticos conseguiram sobreviver, conforme testemunhos de empresários da época. A família Esteves, por sua vez, permaneceu no ramo dos impressos, mantendo uma encadernadora e adquirindo a antiga Typographia Morais, responsável pela impressão da revista Ceará-Social.

Raimundo Esteves, um dos filhos de Luiz Antônio Esteves, ingressou como aprendiz na Typographia Morais, revelando-se um habilidoso negociador. Ele contribuiu para superar os desafios da crise econômica da época e auxiliou seu irmão Francisco. Raimundo casou-se com Alba Amora Quevedo, cuja família também possuía estabelecimentos tipográficos em Fortaleza. Ele investiu na empresa, adquirindo novas máquinas e transformando-a em uma das mais modernas da cidade.

A mudança de nome para Tipografia Progresso foi uma das ações que conferiu à empresa uma imagem de modernidade, tornando-a um símbolo de competência e credibilidade na indústria gráfica do Ceará. Raimundo Esteves destacou-se como líder no setor, chegando à presidência do sindicato e integrando o Conselho Fiscal da Federação das Indústrias do Estado do Ceará.

O Gráfico e o Banqueiro

Meu pai, Raimundo Esteves, iniciou sua jornada na indústria gráfica assumindo a responsabilidade por uma dívida empresarial que originalmente não era sua. A empresa, de propriedade de seu irmão Francisco, estava endividada com um banco em aproximadamente 40 contos de réis. Raimundo, na época funcionário da empresa, decidiu se comprometer com o banqueiro para liquidar a dívida. Sendo um homem recém-casado e com grandes ambições, ele aceitou o desafio imposto pelo proprietário da empresa e comprometeu-se a quitar a dívida. Sem possuir muita experiência na indústria gráfica e mesmo sem a certeza de que conseguiria cumprir o prometido, Raimundo encarou o desafio com determinação e coragem”, disse Luiz Esteves Neto certa vez.

O pagamento da dívida não foi um processo fácil.

No início, ele mal conseguia manter a empresa em funcionamento, pois todo o lucro obtido era usado para o pagamento da dívida. Apesar disso, Raimundo permaneceu comprometido com seu objetivo e, eventualmente, conseguiu pagar toda a dívida. Essa conquista não apenas limpou o nome da empresa, mas também fez dele o único proprietário.

A partir daí, Raimundo pôde finalmente focar no crescimento e desenvolvimento da empresa, que mais tarde seria conhecida como Tipografia Progresso. Este é o ponto de partida da história desta empresa: a assunção de uma dívida que não era sua e a promessa de trabalhar duro para quitá-la – o que ele fez com sucesso. Foi dessa forma que Raimundo Esteves estabeleceu o fundamento sobre o qual a Tipografia Progresso se desenvolveu e prosperou.

Para isso, Luiz decidiu abordar o Senhor José Gentil Alves de Carvalho, presidente do Banco Frota Gentil, a principal instituição bancária do Ceará naquela época, a fim de solicitar um empréstimo para alongar a divida com o banco, comprar insumos e modernizar a gráfica. Com determinação, apresentou-se ao Sr. Gentil expondo seu plano. Naturalmente, o banqueiro expressou interesse em saber quais garantias ele poderia oferecer ao banco. Sem hesitar, o empreendedor respondeu prontamente: “Meu trabalho é minha garantia”.

Enfrentando desafios como a concorrência desleal e as mudanças no mercado de impressos com o avanço da internet, a empresa continuou investindo em inovação e tecnologia. Sob o comando da terceira geração da família Esteves, a Tiprogresso prepara-se para completar seu primeiro centenário, mantendo o compromisso com a excelência e o sucesso no setor gráfico brasileiro.

A história da família Esteves com as artes tipográficas remonta ao século XIX, quando Teotônio Esteves de Almeida fundou a Typographia Americana. Essa escolha de nome foi feita devido à existência de outras duas tipografias na cidade naquela época.

A importância da família Esteves na história da Tiprogresso

Após o falecimento de Raimundo em 1965, seus filhos Luiz Esteves Neto e Geraldo Quevedo Esteves assumiram os negócios, comprometidos em honrar o legado de seu pai. Assim, a Tiprogresso estabeleceu-se como um dos maiores parques gráficos do Nordeste, oferecendo serviços de impressão, cartonagem e acabamento para empresas de todos os portes.

Luiz Esteves Neto, filho de Raimundo Esteves, ingressou na empresa familiar logo após concluir seus estudos. Naquela época, Luiz tinha acabado de passar no vestibular e concluir o curso de Direito, mas decidiu não seguir a carreira de advogado. Apesar de inicialmente lamentar essa escolha, Luiz dedicou-se integralmente ao trabalho com a empresa e tornou-se um pilar para seu pai.

O empresário Geraldo Esteves preferiu atuar no parque industrial desde o início. Trabalhando como impressor e lidando com diversos equipamentos, inclusive uma máquina de alavanca manual, posteriormente migrou para o escritório, cuidando do lado burocrático do negócio.

A Tiprogresso conquistou destaque no mercado não apenas pela qualidade de seus serviços, mas também pela dedicação de Luiz, um verdadeiro artista nesse aspecto. Enquanto ele era responsável pelas vendas, seu parceiro nos negócios (Geraldo) cuidava da parte burocrática da empresa, lidando com cobranças, pagamentos e contas bancárias.

Quarta geração e o futuro da empresa

A história da Tiprogresso na indústria gráfica envolve várias gerações da família Esteves. Após Luiz e Geraldo, seus filhos, Luiz Francisco, Fernando, Raimundo Neto e Sérgio, também juntaram-se ao negócio, agora com a quarta geração seguindo a tradição.

O compromisso com o setor e a paixão pelo trabalho mantiveram a família firme na luta pela prosperidade da gráfica. “O prestígio da nossa empresa continua o mesmo, mas a qualidade não, essa superou a cada ano desde sua fundação”, disse Francisco Esteves com exclusividade ao jornal Economic News Brasil.

Embora o cenário atual seja desafiador, com a concorrência acirrada e as mudanças tecnológicas, a Tiprogresso acredita que o impresso sempre terá sua importância. Cada etapa da vida de um cidadão envolve algum tipo de impresso, e a empresa está determinada a se adaptar e enfrentar os desafios, investindo em modernização e oferecendo serviços de qualidade.

Luiz Esteves Neto deixou uma marca significativa na economia do Ceará, sendo homenageado ao longo de sua vida. Ele sempre valorizou a amizade e considerava os clientes da Tiprogresso como amigos, apreciando os serviços que marcaram emoções e qualidade. Para ele, a melhor impressão é aquela que permanece no coração de todos.

Com a próxima geração já envolvida nos negócios e o compromisso inabalável com a excelência, a Tiprogresso continua a construir sua trajetória, preparando-se para enfrentar os desafios futuros e manter-se como uma referência no setor gráfico brasileiro.

Confira cronologia do tempo no setor gráfico:

1808 – Por decreto régio, foi oficializada a implantação da tipografia no país;

1922 – A evolução contínua se destacou neste ano quando a Companhia Lithographica Ferreira Pinto, uma gráfica carioca, adquiriu a primeira máquina de offset do Brasil;

1923 – Um grupo de comerciantes e industriais gráficos fundou a Associação dos Industriais e Comerciantes Gráficos de São Paulo, criando um núcleo central para o crescimento e desenvolvimento do setor;

1924 – A Graphica Editora Monteiro Lobato trouxe a impressão offset para São Paulo. Posteriormente, a São Paulo Editora adquiriu o equipamento, expandindo ainda mais o alcance e a utilização desta inovação;

1926 – O nascimento da Tiprogresso – Foi o grande marco para o setor gráfico brasileiro com a inauguração da indústria cearense, uma das maiores gráficas do país;

1928 – O Estado de São Paulo lançou o primeiro suplemento impresso em rotogravura em 1928. Em 1931, o jornal A Gazeta também adotou o sistema, levando a inovação adiante na imprensa paulistana;

1931 – A Associação dos Industriais e Comerciantes Gráficos de São Paulo transformou-se no Sindicato dos Industriais e Comerciantes Gráficos de São Paulo. Posteriormente, os Sindicatos da Indústria de Encadernação e da Gravura se incorporaram a ele;

1943 – Os industriais do setor gráfico cearense viram surgir o Sindicato da Indústria Gráfica do Estado do Ceará (Sindigráfica-CE);

1944 – Após dois anos de sua fundação, o SINDIGRAF-SP foi oficializado por lei;

1959 – O ano foi marcado pela realização do primeiro jantar de confraternização da Classe Industrial Gráfica. Além disso, a Associação Brasileira de Técnicos Gráficos (mais tarde ABTG) foi fundada;

1962 – Iniciou-se a campanha pela ampliação da Escola de Artes Gráficas, impulsionando a educação no setor gráfico;

1965 – Realização do I Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica e constituição da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (ABIGRAF Nacional);

1986 – O industrial Luiz Esteves Neto assume como 6º Presidente do Sistema FIEC, dos Conselhos Regionais do SESI, do SENAI, e do Instituto Euvaldo Lodi, núcleo do Ceará, até o ano 1992;

2004 – Após um modesto crescimento de 2,58% em 2003, a indústria gráfica brasileira respondeu fortemente em 2004 com uma expansão de 10%, registrando um robusto crescimento;

2018 – O jovem industrial Felipe Esteves, filho de Fernando Esteves, assume o comando da Sindigráfica-CE para o biênio 2018-2020;

2023 – Tiprogresso comemora 97 anos de atividade e a Sindigráfica celebra seus 80 anos de representatividade.

Referência

A gestão exemplar da família Esteves ao longo dos anos consolidou a Tiprogresso como uma referência no setor gráfico brasileiro. Através de um compromisso com a excelência, investimentos em inovação e tecnologia, e a busca constante por oferecer serviços de qualidade, a família Esteves manteve a empresa em constante crescimento e adaptação às mudanças do mercado. A visão estratégica e habilidades de liderança dos atuais gestores permitiram que a Tiprogresso enfrentasse desafios, superasse obstáculos e se mantivesse relevante ao longo de décadas.

Além disso, a família Esteves também desempenhou um papel fundamental na indústria gráfica brasileira como um todo. Através de suas posições de liderança em sindicatos e associações, eles contribuíram para o desenvolvimento do setor, promovendo o compartilhamento de conhecimentos, a capacitação de profissionais e a defesa dos interesses da indústria. Sua visão empreendedora e compromisso com a qualidade e inovação deixaram um legado duradouro, inspirando gerações futuras de empresários gráficos.

A história da família Esteves na Tiprogresso é um exemplo notável de uma gestão bem-sucedida e de desafios superados ao longo de vários capítulos empresariais. A família Esteves continuará a deixar sua marca na indústria gráfica, liderando pelo exemplo e impulsionando a inovação no setor.

“Não é o grande que ganha do pequeno, é o rápido que ganha do lento”, costuma dizer o industrial Fernando Esteves em referência ao dinamismo da empresa em conseguir acompanhar todas as mudanças que aconteceram ao longo de todos esses anos de existência da Tiprogresso.

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