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Preservação ambiental é negócio lucrativo para grandes empresas

preservação ambiental
Registro da reserva privada Legado das Águas (Foto: Divulgação/Legado das águas).

Há doze anos, a Votorantim transformou uma área que possuía na Mata Atlântica, localizada no Vale do Ribeira, em São Paulo, na reserva florestal conhecida como Legado das Águas. Inicialmente, essa iniciativa representava um custo adicional para o grupo industrial pertencente à família Ermirio de Moraes. No entanto, essa ação de preservação ambiental, abrangendo 31 mil hectares – um território do tamanho de Belo Horizonte – está se revelando como um investimento rentável.

A criação da empresa Reservas Votorantim foi viabilizada pela integração da Legado das Águas com outra reserva localizada em Niquelândia (GO), denominada Legado Verdes do Cerrado. Atualmente, essa empresa está desenvolvendo um projeto-piloto que visa ao reflorestamento de 3 mil hectares, com o objetivo de gerar créditos de carbono.

David Canassa, diretor-executivo da Reservas Votorantim, destacou a antecipação da empresa às oportunidades do mercado de conservação, impulsionadas pelo Acordo de Paris de 2015. A demanda global por créditos de carbono, segundo a McKinsey, pode aumentar exponencialmente até 2030 e 2050, tornando o reflorestamento um negócio promissor.

Passeio no Legado das Águas (Foto: Divulgação).

O Legado das Águas é a maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil. A reserva de 31 mil hectares promove conservação, pesquisa científica, e desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como cultivo de espécies nativas e ecoturismo. Oferece diversas atividades ao ar livre, acomodações e a possibilidade de visitas guiadas ou autoguiadas. Além disso, o Centro de Biodiversidade produz 200 mil mudas de mais de 80 espécies nativas anualmente. Iniciativas sociais e de educação ambiental do Legado das Águas já beneficiaram mais de 40 mil pessoas, apoiando a gestão pública e fomentando a economia local.

Além da Votorantim, outros grandes nomes do cenário empresarial brasileiro, como BTG Pactual, Arminio Fraga e as famílias Moreira Salles e Klabin, estão investindo na restauração florestal. A startup re.green, por exemplo, captou R$ 389 milhões em sua segunda rodada de investimentos, com o objetivo de restaurar 1 milhão de hectares de Mata Atlântica e Amazônia.

Iniciativas como a da Biomas, com investimento de grupos como Vale, Itaú Unibanco, e a Mombak, focam em reflorestar milhões de hectares, alinhando-se às metas climáticas do Brasil e ao potencial do país em captura de carbono. O BTG Pactual também tem se destacado, captando investimentos para seu fundo de reflorestamento na América Latina.

Estes esforços são parte de uma estratégia maior para aproveitar o potencial do Brasil na economia verde, segundo Patricia Genelhu, do BTG. A regulação do mercado de crédito de carbono, tanto no âmbito nacional quanto internacional, pode ampliar ainda mais as oportunidades de negócio.

Desafios como a regularização fundiária e a diversidade biológica demandam atenção especial, mas não impedem o progresso. A riqueza da biodiversidade brasileira, apesar de apresentar desafios operacionais, representa um trunfo para o desenvolvimento de projetos de alta qualidade em termos de créditos de carbono e benefícios ambientais e sociais.

As iniciativas em reflorestamento destacam um movimento crescente de transformação de boas ações ambientais em negócios lucrativos, impulsionados pela demanda por sustentabilidade e pela necessidade de combater as mudanças climáticas.

Correção: Havíamos afirmado que o projeto Legado das Águas era um projeto que realizava reflorestamento, no entanto, trata-se de uma mata nativa, que sempre este conservado. O projeto de reflorestamento da Votorantim é o Legado Verdes do Cerrado, como acima mencionado.

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