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Brasil terá pior safra de laranja em 36 anos, prevê relatório

Brasil terá pior safra de laranja em 36 anos, prevê relatório
(Foto: energepic/Pexels).

O Brasil, maior exportador mundial de suco de laranja, enfrenta sua pior safra em 36 anos. Segundo o relatório do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a produção de laranjas no país deverá ser de apenas 232,4 milhões de caixas, cada uma pesando 41 quilos, para a temporada que começou este mês. Este número representa uma redução de 24% em relação à safra anterior.

O impacto já é sentido nas cotações internacionais da laranja. O preço da commodity aumentou 26% este ano, reflexo direto da redução na oferta brasileira. O calor excessivo que atingiu as áreas produtoras entre setembro e novembro do ano passado foi um dos principais fatores responsáveis pela queda na produção. As altas temperaturas causaram estresse nas laranjeiras, prejudicando a floração e a formação inicial dos frutos.

Além do calor, o aumento na incidência de esverdeamento cítrico, uma doença que provoca a queda prematura dos frutos, também contribuiu para a baixa produtividade. O coordenador da Pesquisa de Estimativa de Safra do Fundecitrus, Vinícius Trombin, destaca que o tempo seco e quente teve um impacto severo nas plantações. “As temperaturas subiram muito desde a chegada do fenômeno El Niño, que se instalou em junho do ano passado e provocou maior evapotranspiração e redução da umidade do solo,” explica Trombin.

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A redução na safra brasileira afetará a oferta global de suco de laranja, já que o país é responsável por cerca de 70% das exportações mundiais da bebida. A situação é agravada pela queda na produção da Flórida, principal estado produtor de laranja nos Estados Unidos. A previsão do Departamento de Agricultura dos EUA aponta para uma produção de apenas 17,8 milhões de caixas na temporada que termina em julho, uma redução de 5% em relação à estimativa anterior.

No Brasil, o cinturão citrícola, principal região produtora do país, responde por cerca de 80% das laranjas colhidas. A baixa colheita deve impactar os preços do suco de laranja no mercado interno e aumentar a pressão sobre a oferta global. O país é responsável por 75% do comércio mundial de suco de laranja, significando que a cada quatro copos de suco consumidos no mundo, três vêm do Brasil.

As ondas de calor registradas no final de 2023 foram particularmente prejudiciais. Houve três eventos climáticos: um em setembro, outro em novembro e um terceiro em dezembro, que ocorreram durante um período crítico para o desenvolvimento dos frutos. Essas temperaturas elevadas resultaram na queda de muitos frutos recém-formados.

As chuvas registradas de dezembro de 2023 a fevereiro de 2024 provocaram um florescimento tardio. Contudo, as múltiplas floradas não foram suficientes para compensar a perda inicial, levando a uma redução de 29% no número de frutos por árvore. Trombin observa que, com a menor quantidade de frutos, as laranjas devem alcançar tamanhos maiores do que as colhidas na safra passada, em torno de 5%. “A menor competição entre os frutos permitirá um crescimento maior, o que ajudará a minimizar as perdas,” diz ele.

O cenário atual preocupa produtores e exportadores, pois a queda na produção pode afetar as exportações nacionais de suco de laranja. A redução na oferta e o consequente aumento nos preços podem impactar o consumo global da bebida. A seca e as altas temperaturas mostram a importância de monitorar e adaptar as práticas agrícolas para enfrentar as mudanças climáticas, garantindo a sustentabilidade da produção de laranja no Brasil.

Com a previsão de uma safra menor, a atenção se volta para as medidas que podem ser adotadas para mitigar os efeitos negativos. Investimentos em tecnologias de irrigação, controle de doenças e práticas agrícolas sustentáveis são essenciais para garantir a resiliência do setor citrícola brasileiro frente às adversidades climáticas.

A previsão de queda de 24% na produção de laranja no Brasil serve como alerta para os desafios que a agricultura enfrenta com as mudanças climáticas. A busca por soluções inovadoras e sustentáveis se torna cada vez mais urgente para garantir a segurança alimentar e a estabilidade econômica no setor agrícola.

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