Após ataque dos EUA, salário mínimo da Venezuela cai a R$ 2,34 por mês

O salário mínimo da Venezuela caiu ao equivalente a R$ 2,34 por mês após o ataque dos Estados Unidos e a aceleração da crise cambial, refletindo a forte desvalorização do bolívar. Congelado em 130 bolívares desde 2022, o piso salarial perdeu quase todo o poder de compra com a disparada do dólar, passando a representar menos de US$ 0,50. Continue lendo e saiba mais.
Bandeira da Venezuela e gráficos econômicos associados à queda do salário mínimo na Venezuela.
Crise cambial reduz o poder de compra do salário mínimo na Venezuela (Foto: Ilustrativa)

O salário mínimo da Venezuela atingiu um novo piso histórico nesta segunda-feira (05/01) ao passar a equivaler a cerca de R$ 2,34 por mês, na conversão para reais pela cotação oficial, após o ataque dos Estados Unidos e a intensificação da instabilidade cambial no país. O valor resulta da combinação entre câmbio pressionado, crise política e o congelamento do piso salarial em termos nominais desde março de 2022.

O salário-base permanece fixado em 130 bolívares (moeda oficial da Venezuela) há quase quatro anos. Na época do último reajuste, esse patamar equivalia a aproximadamente US$ 30 mensais, cerca de R$162,32. Porém, desde então a escalada do dólar corroeu o poder de compra. Com a cotação oficial em 304,30 bolívares por dólar, o mesmo valor passou a representar menos de US$ 0,50, reduzindo o salário mínimo da Venezuela a níveis residuais.

Salário mínimo da Venezuela e a pressão do câmbio

A deterioração do câmbio explica a magnitude da perda de valor do salário mínimo na Venezuela. Ente os fatores que provocaram o movimento, temos:

  • Em 2025, o bolívar acumulou desvalorização de 78,8% frente ao dólar.
  • No mesmo período, o dólar ficou 372,2% mais caro no mercado oficial.
  • No início do ano, a cotação era de 52,02 bolívares por dólar.
  • Em outubro de 2025, o dólar chegou a 245,66 bolívares.
  • E em novembro de 2025, a moeda venezuelana recuou 8,8% em um único mês.

Embora o processo já estivesse em curso, economistas avaliam que o ataque dos EUA funcionou como catalisador, ampliando a fuga para moedas fortes. A busca por proteção em dólar acelerou a dolarização informal da economia e aprofundou a perda real do piso salarial na Venezuela, sobretudo no setor formal.

Realizada no último sábado (03/01), a operação militar nos Estados Unidos resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa. Mas, além do impacto no salário mínimo da Venezuela, a operação afetou outras áreas da geopolítica.

Veja um balanço sobre os possíveis impactos geopolíticos do ataque dos EUA à Venezuela.

Como o salário mínimo da Venezuela foi substituído por rendas paralelas

Na prática, o salário mínimo deixou de cumprir função de subsistência na Venezuela. A renda das famílias passou a depender de mecanismos paralelos, como remessas do exterior, atividades informais e bônus pagos pelo Estado. Entre esses complementos estão um vale-alimentação equivalente a cerca de R$ 217 e a chamada “renda de guerra econômica”,próxima de R$ 652 mensais para servidores públicos.

Esses valores, contudo, não integram o salário-base nem entram no cálculo de benefícios trabalhistas, como férias, aposentadorias ou indenizações. Especialistas observam que o desenho adotado fragiliza a proteção ao trabalhador, pois a renda fica mais exposta às oscilações do câmbio e à inflação.

Limites fiscais salariais

O espaço para correções permanece estreito. Dados da agência EFE indicam que a folha estatal reúne cerca de 5,5 milhões de servidores ativos e mais de 4,5 milhões de pensionistas. Nesse contexto, elevar o salário-base para algo como US$ 250 mensais consumiria toda a arrecadação do país com exportações de petróleo e impostos.

Assim, o salário mínimo da Venezuela segue entre os mais baixos do mundo, com perspectivas frágeis enquanto o câmbio continuar sendo o principal vetor de deterioração da renda.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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