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Telefónica acelera saída da América Latina com venda no Chile

A venda da Telefónica no Chile integra a estratégia de concentração em mercados centrais, reduz exposição a ativos menos rentáveis e redefine o cenário competitivo local.
Imagem da fachada da Telefónica em Madrid para ilustrar uma matéria jornalística sobre a venda da telefónica.
(Imagem: Zarateman/Wikimedia Commons)

A Telefónica anunciou nesta terça-feira (10) a venda de sua operação no Chile por US$ 1,22 bilhão, dando mais um passo na redução de sua presença na América Latina. A transação envolve o negócio de telefonia móvel no país e se insere na estratégia de concentrar investimentos em mercados considerados prioritários.

A decisão ocorre sob a liderança de Marc Murtra, presidente-executivo desde janeiro de 2025. Desde sua chegada, a empresa passou a executar com maior velocidade planos de reorganização do portfólio, diante de operações regionais cuja rentabilidade não cobre o custo de capital, segundo avaliação interna da própria Telefónica.

Venda no Chile e a estrutura do negócio da Telefónica

O acordo fechado no Chile prevê um valor fixo de US$ 1,22 bilhão, além de um pagamento adicional de até US$ 150 milhões, condicionado ao cumprimento de metas específicas no mercado local de telecomunicações. A Telefónica estruturou parte relevante da transação para diluir riscos financeiros ao longo do tempo.

Do total, US$ 50 milhões serão pagos imediatamente em caixa. Outros US$ 340 milhões ficaram vinculados a um pagamento diferido, que dependerá do desempenho financeiro da Telefónica Chile. Ao final de 2025, a subsidiária acumulava dívida líquida de US$ 571 milhões, dado que pesou na decisão de alienação.

Redefinição geográfica do grupo espanhol

Com a venda da Telefónica no Chile, a companhia reforça o direcionamento estratégico para Espanha, Brasil, Alemanha e Reino Unido. Esses mercados concentram maior escala, ambiente regulatório mais previsível e capacidade de geração de caixa compatível com os objetivos financeiros do grupo.

O enxugamento regional ocorre em um setor que enfrenta aumento dos custos de infraestrutura, competição intensa e necessidade permanente de investimentos. Ao reduzir a dispersão geográfica, a Telefónica busca simplificar a governança corporativa e tornar mais eficiente a alocação de capital.

A venda da Telefónica e o novo controlador do ativo

O negócio foi fechado com a holding francesa NJJ e a Millicom International Cellular S.A., ambas ligadas ao empresário Xavier Niel. A Millicom atua na América Latina por meio da marca TIGO e amplia sua presença no mercado chileno com a aquisição.

A venda da Telefónica altera o equilíbrio competitivo no Chile e abre espaço para uma nova estratégia comercial do ativo. O reposicionamento ocorre em um ambiente desafiador, no qual eficiência operacional e disciplina financeira tendem a definir os próximos passos do setor.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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