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Financiamento do transporte público avança na Câmara

O financiamento do transporte público avança na Câmara com retirada de novas taxações e regra que destina 60% da Cide ao setor, redesenhando subsídios e contratos no país.
Votação sobre financiamento do transporte público na Câmara
Deputados analisam projeto que redefine regras de custeio e subsídios do sistema coletivo. Imagem: Canva

O financiamento do transporte público entrou em nova etapa nesta semana após o relator do PL 3278/21 retirar do texto as propostas de novas taxações. A decisão destrava a votação na Câmara e reposiciona o debate sobre como custear ônibus, trens e metrôs no país.

O projeto, já aprovado pelo Senado em 2024, pode ser analisado diretamente no plenário. Se avançar, promoverá a maior reestruturação desde a Política Nacional de Mobilidade Urbana, sancionada em 2012, ao redefinir regras de subsídio, contratos e fontes federais de recursos.

Financiamento do transporte público sem novas cobranças

O deputado José Priante (MDB-PA) excluiu integralmente o artigo que previa tarifas sobre estacionamento público, pedágio urbano, cobranças sobre plataformas digitais e contribuição por emissão de poluentes. Segundo o relator, os dispositivos geraram controvérsia e poderiam invadir competências de estados e municípios.

Com a retirada, o debate sobre novas fontes de receita fica a cargo das prefeituras. Assim, o texto concentra o eixo federal na reorganização do modelo de custeio, sem criar tributos nacionais adicionais.

Novo modelo de custeio e uso da Cide

O ponto mais sensível do projeto está na destinação de pelo menos 60% da arrecadação da Cide-Combustíveis ao sistema coletivo. A medida cria uma base estável de recursos da União para reforçar o financiamento do transporte público.

Além disso, o texto separa a tarifa paga pelo usuário da tarifa de remuneração das empresas, permitindo que prefeitos e governadores definam o nível de subsídio tarifário. Hoje, 256 cidades já adotam algum tipo de subsídio, enquanto 182 implementaram tarifa zero, parcial ou universal.

O projeto também determina que gratuidades e descontos, que representam 22% dos custos, sejam custeados por recursos previstos em lei. Dessa forma, busca-se reduzir a pressão direta sobre o valor das passagens.

Financiamento do transporte público e contratos

Outro eixo da proposta trata da reorganização das concessões de transporte coletivo. O texto prevê metas, indicadores de desempenho e regras mais claras para evitar precarização contratual.

Nove entidades do setor, entre elas NTU e ANPTrilhos, afirmaram em nota que o projeto corrige distorções históricas e permite melhorar a qualidade sem criar novos impostos. Segundo o grupo, priorizar o transporte coletivo atende ao artigo 6º da Constituição, que define o transporte como direito social.

Ao concentrar o financiamento do transporte público em receitas já existentes e reforçar a governança contratual, o Congresso recoloca no centro da agenda a sustentabilidade do sistema urbano. A votação indicará se o país optará por um arranjo federativo com maior previsibilidade fiscal para a mobilidade.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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