A taxa de desemprego no Reino Unido subiu para 5,2% nos três meses até dezembro, segundo dados divulgados na terça-feira (17/02) pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS). O percentual é o mais elevado desde janeiro de 2021 e supera os 5,1% registrados no período até novembro.
O avanço ocorre em meio a sinais de perda de tração do mercado de trabalho, após meses de relativa estabilidade. Como a leitura cobre o trimestre encerrado em dezembro, o dado sugere enfraquecimento gradual na reta final de 2025.
Além do desemprego mais alto, o ONS informou que o salário médio, excluindo bônus, avançou 4,2% em base anual. O resultado ficou em linha com o esperado, mas abaixo do ganho revisado de 4,4% observado anteriormente.
A combinação de maior desocupação e desaceleração da remuneração altera a leitura sobre o dinamismo do emprego britânico. O crescimento salarial mais contido tende a reduzir pressões sobre a inflação de serviços, embora o nível ainda permaneça acima do histórico pré-pandemia.
Mercado de trabalho britânico sob pressão gradual
O mercado de trabalho britânico vinha sendo apontado como um dos pilares da atividade econômica. Contudo, a taxa de desemprego no Reino Unido indica que a absorção de mão de obra perdeu ritmo no fim do ano.
Analistas acompanham de perto a evolução dos rendimentos reais e da massa salarial, pois esses fatores influenciam diretamente o consumo das famílias. Uma taxa de desocupação mais elevada pode afetar decisões de gasto e investimento doméstico.
Para o Banco da Inglaterra (BoE), o comportamento dos salários é variável central na definição da política monetária. Embora o crescimento de 4,2% ainda represente expansão relevante, a desaceleração pode aliviar parte das pressões inflacionárias, segundo economistas ouvidos pelo mercado.
Ao mesmo tempo, a elevação da taxa reforça dúvidas sobre o ritmo da atividade econômica no primeiro trimestre de 2026, especialmente diante de custos de crédito ainda elevados.
Perspectivas para a taxa de desemprego no Reino Unido
A taxa de desemprego no Reino Unido passa a integrar o debate sobre os próximos passos do BoE. Se o enfraquecimento do emprego persistir, autoridades monetárias poderão reavaliar o grau de aperto dos juros básicos.
Por outro lado, o nível de salários ainda acima da meta de inflação mantém o banco central em posição cautelosa. Economistas afirmam que o equilíbrio entre crescimento econômico e controle de preços seguirá no radar nos próximos meses.
Nesse contexto, a trajetória futura da taxa de desemprego no Reino Unido será determinante para calibrar expectativas de mercado e sinalizar o rumo da economia britânica em 2026.





