As concessões de empréstimos caíram 18,9% em janeiro, enquanto o custo do dinheiro subiu e o spread bancário avançou. O recuo mensal ocorre em paralelo à alta dos juros do crédito livre, que atingiram 47,8% ao ano, segundo o Banco Central (BC).
Além da contração no volume liberado pelos bancos, o spread bancário nos recursos livres subiu para 34,3 pontos percentuais, ampliando a diferença entre o custo de captação e a taxa final ao cliente. Ao mesmo tempo, a inadimplência nesse segmento passou de 5,4% para 5,5%. A combinação impõe pressão adicional sobre famílias e empresas. A leitura, contudo, não se encerra no volume mensal.
Concessões de empréstimos encolhem nos dois segmentos
Nos recursos livres, em que bancos e tomadores negociam condições, a queda foi de 17,2%. Já nos recursos direcionados, que seguem parâmetros definidos pelo governo, o tombo chegou a 32,9%. Ou seja, tanto o crédito negociado a mercado quanto linhas reguladas registraram retração.
Em termos reais, o volume concedido ficou 2,2% abaixo do observado em janeiro de 2025. Embora o estoque de crédito total tenha recuado apenas 0,2%, para R$ 7,116 trilhões, o fluxo menor indica desaceleração na ponta. Para além da fotografia mensal, o custo do financiamento traz outro sinal relevante.
Juros altos e spread ampliado elevam o custo do financiamento
Os juros bancários no crédito livre avançaram 1,2 ponto percentual no mês. Nas operações com recursos direcionados, a taxa média subiu para 11,6% ao ano, alta de 0,2 ponto. Assim, o ambiente combina menor oferta com crédito mais caro.
Esse quadro tende a afetar decisões de consumo, capital de giro, financiamento empresarial e investimentos produtivos. Além disso, o aumento do risco de crédito ajuda a explicar a elevação do spread, segundo leitura recorrente de analistas do setor financeiro.
No agregado, o sistema financeiro nacional preserva um estoque elevado, mas a dinâmica de janeiro sugere ajuste no ritmo das concessões. Quando o crédito desacelera e o custo sobe simultaneamente, o efeito costuma aparecer na atividade com defasagem.
No curto prazo, as concessões de empréstimos passam a funcionar como termômetro da disposição dos bancos em assumir risco e da capacidade de pagamento de famílias e empresas. Se juros e spread permanecerem pressionados, o crédito tende a seguir mais seletivo, com impacto direto sobre a trajetória da economia real.





