A Mosaic, companhia de fertilizantes dos Estados Unidos (EUA), registrou prejuízo líquido de US$ 519,5 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o lucro de US$ 169 milhões apurado um ano antes. O resultado negativo, informado na terça-feira (24/02), após o fechamento do mercado, marcou o prejuízo da Mosaic no período e contrasta com a expansão anual da companhia, refletindo a concentração de ajustes contábeis e pressões de custo no fim do exercício.
Apesar do desempenho trimestral, a Mosaic encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 541 milhões, ante US$ 175 milhões em 2024. A diferença entre o resultado anual e o trimestre final revela pressão concentrada em ajustes contábeis e custos operacionais. Esses fatores culminaram no prejuízo da Mosaic no encerramento do ano.
Prejuízo da Mosaic e as baixas contábeis
O prejuízo da Mosaic foi influenciado por US$ 422 milhões em itens relevantes antes de impostos. Entre eles, estão impairment de US$ 189 milhões do ativo de Carlsbad e US$ 110 milhões em ágio e ativos imobilizados na Mosaic Fertilizantes.
Os números detalham como ajustes contábeis e variações operacionais moldaram o desempenho financeiro no período, combinando efeitos não recorrentes e desempenho operacional distinto entre trimestre e ano fechado. Confira os valores abaixo:
- US$ 223 milhões em perdas cambiais, ajustes a valor de mercado e obrigações de desativação de ativos.
- US$ 261 milhões em provisão, após impostos, sobre ativos fiscais diferidos no Brasil.
- US$ 100 milhões em ganho com venda de ativos, sendo US$ 94 milhões relacionados à transação de Patos de Minas.
- Ebitda ajustado de US$ 505 milhões no trimestre, queda de 15% na comparação anual.
- Vendas líquidas próximas de US$ 3 bilhões no trimestre.
- Ebitda de US$ 2,42 bilhões em 2025, alta de 10% sobre 2024.
- Receita anual de US$ 12,1 bilhões, avanço de 9% na comparação interanual.
Em conjunto, os dados indicam que o resultado negativo trimestral esteve concentrado em ajustes específicos, enquanto o desempenho anual preservou crescimento operacional em receita e geração de Ebitda.
Divergência entre potássio e fosfatados
Enquanto o segmento de potássio elevou o Ebitda ajustado em 58,5% no trimestre, para US$ 336 milhões, a área de fosfato registrou retração de 57,8%, para US$ 144 milhões. A diferença reflete preços, volumes e custos de conversão distintos.
No Brasil, a Mosaic Fertilizantes reportou Ebitda ajustado de US$ 45 milhões, queda de 45,1%. A operação enfrentou restrição de crédito, concorrência maior e pressão sobre margens, além de reduzir temporariamente a produção de SSP (superfosfato simples) em unidades que representam cerca de 30% da capacidade local.
O custo médio do enxofre foi de US$ 306 por tonelada no trimestre, mas os preços de referência superaram US$ 500 no fim do período. Segundo a companhia, cada aumento de US$ 10 por tonelada no insumo pode reduzir o Ebitda trimestral em cerca de US$ 10 milhões, ampliando a sensibilidade operacional associada ao prejuízo da Mosaic.
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Prejuízo da Mosaic e o teste de 2026
O prejuízo da Mosaic também ocorreu em meio à formação de estoques, que elevaram o capital de giro. O fluxo de caixa operacional foi negativo em US$ 56 milhões no trimestre, enquanto no ano totalizou US$ 825 milhões, queda de 36,5%.
De acordo com o presidente e CEO, Bruce Bodine, “a demanda postergada e os custos mais altos de matérias-primas impactaram negativamente nossos resultados no final do ano, mas espera-se que a demanda se recupere à medida que nos aproximamos da temporada de plantio.”
A empresa afirmou ainda que os preços já reagiram positivamente à demanda global no início de 2026. Para o primeiro trimestre, a projeção indica vendas entre 1,7 milhão e 1,9 milhão de toneladas, com DAP entre US$ 640 e US$ 670 por tonelada. Assim, o prejuízo da Mosaic no fim de 2025 indica a sensibilidade da companhia a custos de insumos e ajustes contábeis. O setor permanece dependente da demanda agrícola global, do crédito rural e da dinâmica de preços internacionais.





