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Prejuízo da Mosaic expõe impacto de baixas contábeis no 4º trimestre

O Prejuízo da Mosaic no 4T25 expõe efeitos de impairments, alta do enxofre e pressão no fluxo de caixa, apesar de avanço anual em receita e Ebitda em 2025.
Prejuízo da Mosaic no quarto trimestre de 2025 em unidade da Mosaic Fertilizantes no Brasil
Unidade da Mosaic Fertilizantes no Brasil, afetada por ajustes contábeis, alta do enxofre e pressão sobre margens no quarto trimestre de 2025. Foto: Mosaic/Divulgação

A Mosaic, companhia de fertilizantes dos Estados Unidos (EUA), registrou prejuízo líquido de US$ 519,5 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o lucro de US$ 169 milhões apurado um ano antes. O resultado negativo, informado na terça-feira (24/02), após o fechamento do mercado, marcou o prejuízo da Mosaic no período e contrasta com a expansão anual da companhia, refletindo a concentração de ajustes contábeis e pressões de custo no fim do exercício.

Apesar do desempenho trimestral, a Mosaic encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 541 milhões, ante US$ 175 milhões em 2024. A diferença entre o resultado anual e o trimestre final revela pressão concentrada em ajustes contábeis e custos operacionais. Esses fatores culminaram no prejuízo da Mosaic no encerramento do ano.

Prejuízo da Mosaic e as baixas contábeis

O prejuízo da Mosaic foi influenciado por US$ 422 milhões em itens relevantes antes de impostos. Entre eles, estão impairment de US$ 189 milhões do ativo de Carlsbad e US$ 110 milhões em ágio e ativos imobilizados na Mosaic Fertilizantes.

Os números detalham como ajustes contábeis e variações operacionais moldaram o desempenho financeiro no período, combinando efeitos não recorrentes e desempenho operacional distinto entre trimestre e ano fechado. Confira os valores abaixo:

  • US$ 223 milhões em perdas cambiais, ajustes a valor de mercado e obrigações de desativação de ativos.
  • US$ 261 milhões em provisão, após impostos, sobre ativos fiscais diferidos no Brasil.
  • US$ 100 milhões em ganho com venda de ativos, sendo US$ 94 milhões relacionados à transação de Patos de Minas.
  • Ebitda ajustado de US$ 505 milhões no trimestre, queda de 15% na comparação anual.
  • Vendas líquidas próximas de US$ 3 bilhões no trimestre.
  • Ebitda de US$ 2,42 bilhões em 2025, alta de 10% sobre 2024.
  • Receita anual de US$ 12,1 bilhões, avanço de 9% na comparação interanual.

Em conjunto, os dados indicam que o resultado negativo trimestral esteve concentrado em ajustes específicos, enquanto o desempenho anual preservou crescimento operacional em receita e geração de Ebitda.

Divergência entre potássio e fosfatados

Enquanto o segmento de potássio elevou o Ebitda ajustado em 58,5% no trimestre, para US$ 336 milhões, a área de fosfato registrou retração de 57,8%, para US$ 144 milhões. A diferença reflete preços, volumes e custos de conversão distintos.

No Brasil, a Mosaic Fertilizantes reportou Ebitda ajustado de US$ 45 milhões, queda de 45,1%. A operação enfrentou restrição de crédito, concorrência maior e pressão sobre margens, além de reduzir temporariamente a produção de SSP (superfosfato simples) em unidades que representam cerca de 30% da capacidade local.

O custo médio do enxofre foi de US$ 306 por tonelada no trimestre, mas os preços de referência superaram US$ 500 no fim do período. Segundo a companhia, cada aumento de US$ 10 por tonelada no insumo pode reduzir o Ebitda trimestral em cerca de US$ 10 milhões, ampliando a sensibilidade operacional associada ao prejuízo da Mosaic.

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Prejuízo da Mosaic e o teste de 2026

O prejuízo da Mosaic também ocorreu em meio à formação de estoques, que elevaram o capital de giro. O fluxo de caixa operacional foi negativo em US$ 56 milhões no trimestre, enquanto no ano totalizou US$ 825 milhões, queda de 36,5%.

De acordo com o presidente e CEO, Bruce Bodine, “a demanda postergada e os custos mais altos de matérias-primas impactaram negativamente nossos resultados no final do ano, mas espera-se que a demanda se recupere à medida que nos aproximamos da temporada de plantio.”

A empresa afirmou ainda que os preços já reagiram positivamente à demanda global no início de 2026. Para o primeiro trimestre, a projeção indica vendas entre 1,7 milhão e 1,9 milhão de toneladas, com DAP entre US$ 640 e US$ 670 por tonelada. Assim, o prejuízo da Mosaic no fim de 2025 indica a sensibilidade da companhia a custos de insumos e ajustes contábeis. O setor permanece dependente da demanda agrícola global, do crédito rural e da dinâmica de preços internacionais.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na cobertura editorial e analítica de economia e negócios, e colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

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