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Atividade da construção em janeiro atinge 43,1 e expõe fissura silenciosa

Atividade da construção em janeiro cai ao menor nível em nove anos, com recuo em emprego, capacidade operacional e intenção de investimento. Juros elevados e crédito caro pressionam o setor no início de 2026.
Atividade da construção em janeiro em canteiro de obras com máquinas paradas
Canteiro de obras com menor utilização de capacidade operacional em janeiro de 2026. Imagem: Canva

A atividade da construção em janeiro recuou a 43,1 pontos. É o pior resultado para o mês desde 2017. O indicador ficou abaixo de 50 pontos. Isso sinaliza retração no nível de atividade logo na largada de 2026.

O dado faz parte da Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A pesquisa ouviu 312 empresas. A coleta ocorreu entre 2 e 12 de fevereiro. O resultado, porém, vai além do número principal.

Capacidade ociosa aumenta nos canteiros

A utilização da capacidade operacional (UCO) caiu de 67% para 64%. É o menor patamar para janeiro em cinco anos. Isso indica mais máquinas e equipes paradas.

O enfraquecimento também atinge o emprego na construção. O índice de evolução passou de 45,7 para 45,3 pontos. Foi a terceira queda seguida. O setor segue abaixo da linha de expansão.

Juros pressionam crédito e projetos

Segundo Marcelo Azevedo, gerente da CNI, os juros elevados encarecem o financiamento. Isso reduz o acesso ao crédito corporativo. Como efeito, empresas adiam obras e novos contratos.

A cautela aparece ainda na intenção de investimento. O índice caiu de 44,6 para 42,9 pontos em fevereiro. A queda interrompeu quatro altas consecutivas. Ainda assim, o nível supera o de um ano antes. A leitura, contudo, revela prudência diante do custo de capital.

Expectativas resistem, mas perdem força

Os indicadores de novos empreendimentos, compra de insumos, nível de atividade esperado e contratações futuras recuaram em fevereiro. Apesar disso, permanecem acima de 50 pontos. Isso indica expectativa moderadamente positiva para os próximos seis meses.

Enquanto isso, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu para 96,7 pontos. A indústria geral mostra melhora. A construção segue na direção oposta.

O que o dado sinaliza para 2026

Relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que reformas estruturais devem ficar para 2027. O governo prioriza o ajuste das contas públicas. Nesse ambiente, a atividade da construção em janeiro funciona como termômetro antecipado do ciclo.

Quando produção da construção civil, emprego e investimento recuam juntos, o setor costuma antecipar desaceleração mais ampla. O início de 2026 sugere que o crédito caro já produz efeitos concretos na economia real.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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