A atividade da construção em janeiro recuou a 43,1 pontos. É o pior resultado para o mês desde 2017. O indicador ficou abaixo de 50 pontos. Isso sinaliza retração no nível de atividade logo na largada de 2026.
O dado faz parte da Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A pesquisa ouviu 312 empresas. A coleta ocorreu entre 2 e 12 de fevereiro. O resultado, porém, vai além do número principal.
Capacidade ociosa aumenta nos canteiros
A utilização da capacidade operacional (UCO) caiu de 67% para 64%. É o menor patamar para janeiro em cinco anos. Isso indica mais máquinas e equipes paradas.
O enfraquecimento também atinge o emprego na construção. O índice de evolução passou de 45,7 para 45,3 pontos. Foi a terceira queda seguida. O setor segue abaixo da linha de expansão.
Juros pressionam crédito e projetos
Segundo Marcelo Azevedo, gerente da CNI, os juros elevados encarecem o financiamento. Isso reduz o acesso ao crédito corporativo. Como efeito, empresas adiam obras e novos contratos.
A cautela aparece ainda na intenção de investimento. O índice caiu de 44,6 para 42,9 pontos em fevereiro. A queda interrompeu quatro altas consecutivas. Ainda assim, o nível supera o de um ano antes. A leitura, contudo, revela prudência diante do custo de capital.
Expectativas resistem, mas perdem força
Os indicadores de novos empreendimentos, compra de insumos, nível de atividade esperado e contratações futuras recuaram em fevereiro. Apesar disso, permanecem acima de 50 pontos. Isso indica expectativa moderadamente positiva para os próximos seis meses.
Enquanto isso, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu para 96,7 pontos. A indústria geral mostra melhora. A construção segue na direção oposta.
O que o dado sinaliza para 2026
Relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que reformas estruturais devem ficar para 2027. O governo prioriza o ajuste das contas públicas. Nesse ambiente, a atividade da construção em janeiro funciona como termômetro antecipado do ciclo.
Quando produção da construção civil, emprego e investimento recuam juntos, o setor costuma antecipar desaceleração mais ampla. O início de 2026 sugere que o crédito caro já produz efeitos concretos na economia real.





