A importação de minério na China avançou no início de 2026 e indica que a siderurgia do país segue operando em ritmo elevado. O maior consumidor mundial da matéria-prima trouxe 210,02 milhões de toneladas entre janeiro e fevereiro, alta anual de 10% segundo dados alfandegários divulgados nesta terça-feira.
O volume supera as 191,36 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior e reforça o papel da indústria chinesa na sustentação do mercado global de minério de ferro. A atividade dos altos-fornos permaneceu aquecida no início do ano, sustentando a demanda por matéria-prima siderúrgica e por insumos industriais ligados à produção de aço. Ainda assim, a leitura completa do fenômeno passa por fatores externos da cadeia de suprimentos.
Oferta global amplia compras de minério
Parte da expansão da importação de minério na China veio do aumento da disponibilidade internacional da commodity. A Austrália, principal fornecedora global, registrou embarques mais robustos no final de 2025, o que ampliou a oferta de carga marítima de minério no mercado.
Os embarques australianos enfrentaram menos interrupções climáticas do que no ano anterior, o que favoreceu a chegada de maiores volumes aos portos chineses. Como resultado, siderúrgicas ampliaram estoques de minério importado para sustentar o funcionamento das usinas. Para além da logística global, outro indicador reforça essa leitura industrial.
Produção de ferro-gusa confirma demanda siderúrgica
Dados da consultoria Mysteel mostram que a produção média diária de ferro-gusa, insumo direto na produção de aço, cresceu 1,2% na comparação anual nos dois primeiros meses do ano. O indicador funciona como termômetro da atividade dos altos-fornos chineses.
A China divulga as estatísticas de comércio de janeiro e fevereiro de forma conjunta para reduzir distorções provocadas pelo feriado do Ano Novo Lunar, período em que fábricas e portos reduzem operações. Mesmo com essa sazonalidade, o volume importado manteve média mensal de 105,01 milhões de toneladas, evidenciando estabilidade na demanda industrial chinesa. Ainda assim, a dinâmica do comércio siderúrgico revela um contraste relevante.
Exportações de aço recuam com novas regras
Enquanto a importação de minério na China cresceu, as exportações de aço do país apresentaram retração. Os embarques somaram 15,59 milhões de toneladas entre janeiro e fevereiro, queda anual de 8,1%.
O recuo ocorre após Pequim anunciar, em dezembro, a implementação de um sistema de licenças para exportações siderúrgicas a partir de 2026. A medida surge em meio ao aumento de barreiras comerciais internacionais contra o aço chinês, pressionando o governo a ajustar o fluxo externo do setor. A mudança regulatória, contudo, não reduziu a necessidade de matéria-prima para a indústria doméstica.
No mercado internacional, o contrato de referência do minério de ferro na Bolsa de Cingapura para abril avançava 0,76%, cotado a US$ 103,85 por tonelada, refletindo a leitura de demanda firme por parte das siderúrgicas asiáticas.
No curto prazo, analistas projetam que as compras externas possam permanecer próximas de 105 milhões de toneladas em março. Nesse cenário, a importação de minério na China tende a continuar como um dos principais termômetros do ciclo global das commodities metálicas, já que o ritmo industrial do país ainda define o equilíbrio entre produção siderúrgica, preços do minério e fluxos comerciais da cadeia do aço.





