O transporte aéreo de cargas do Brasil caiu 1,2% em 2025 e destoou do desempenho da América Latina e Caribe, que registraram crescimento de 3,2% no mesmo período. Os dados constam em relatório divulgado pela Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA).
Apesar da retração, o Brasil permaneceu como o maior mercado da região em volume transportado. Ao longo de 2025, aeroportos brasileiros movimentaram cerca de 880,9 mil toneladas métricas de mercadorias em rotas internacionais.
Transporte aéreo de cargas perde ritmo no Brasil
O levantamento indica que tanto as entradas quanto as saídas de mercadorias contribuíram para o resultado anual. As importações aéreas recuaram 2,2%, enquanto as exportações aéreas registraram queda mais leve, de 0,1%.
Mesmo assim, transporte aéreo de cargas do Brasil manteve liderança regional em volume total. A Colômbia apareceu na sequência com aproximadamente 818 mil toneladas, crescimento de 1,6%. Enquanto isso, o México movimentou cerca de 661 mil toneladas, com retração de 0,3%, refletindo o crescimento sequencial do PIB.
Países médios impulsionam crescimento regional
Segundo a ALTA, o avanço da América Latina foi impulsionado principalmente por mercados de porte médio. Países como Peru e Panamá registraram expansões expressivas de 15,4% e 14,7%, respectivamente.
Outros mercados também tiveram crescimento relevante, como Argentina, Costa Rica e El Salvador, todos com alta superior a 10% no volume anual transportado por via aérea.
Rotas internacionais concentram fluxo de carga
A análise do relatório mostra que a América do Norte permanece como principal origem ou destino da carga aérea regional, concentrando 49,1% do fluxo total. A Europa responde por 25,1%.

No caso brasileiro, o principal corredor logístico foi a rota Brasil–Estados Unidos, responsável por cerca de 312 mil toneladas de mercadorias transportadas em 2025, apesar dos recuos no final do ano e início de 2026.
Maior parte da operação brasileira ainda se concentra em poucos aeroportos
Um dos pontos do levantamento da ALTA é que grande parte da operação de transporte internacional de mercadorias por avião no Brasil ainda permanece concentrada em poucos hubs logísticos. O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, lidera o volume de carga aérea, seguido por Viracopos, em Campinas, e pelo Galeão, no Rio de Janeiro.
Esse desenho reflete o papel desses terminais na logística internacional, no comércio exterior e na movimentação das cadeias globais de suprimentos. Porém, mostra o quão pouco diversificada é a malha aérea brasileira, o que pode justificar, até certo ponto, a queda frente ao resto da América Latina.
Transporte aéreo de cargas e o cenário competitivo na região
O quadro descrito pela ALTA, portanto, sugere que o avanço recente da carga aérea latino-americana tem sido mais distribuído entre diferentes mercados. Isso, enquanto o Brasil mantém operação concentrada em poucos hubs e rotas internacionais.
Nesse contexto, o desempenho do transporte aéreo de cargas do Brasil passa a depender não apenas do volume movimentado, mas também da capacidade de diversificar conexões logísticas. E, além disso, acompanhar o crescimento observado em outras economias da região.





