O frete do milho entrou em revisão pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) após a alta do diesel comprometer a execução de contratos logísticos. A estatal avalia flexibilizar prazos e suspender penalidades para evitar falhas no envio do grão a pequenos criadores.
A medida surge em resposta à pressão de transportadoras, que relatam dificuldade para cumprir os contratos firmados meses antes. Segundo as empresas, o avanço do preço do diesel tornou inviável manter operações dentro dos valores acordados, afetando diretamente a logística agrícola.
Frete do milho sob pressão operacional
Entre dezembro de 2025 e março de 2026, a Conab realizou quatro leilões públicos voltados ao transporte de grãos, totalizando R$ 17 milhões em contratos. Esses acordos sustentam a distribuição de milho dentro do Programa de Venda em Balcão (ProVB), voltado a pequenos produtores de proteína animal.
Apesar de resistir a reajustes nos valores, a estatal reconhece que o aumento do combustível impactou o frete do milho e o fluxo geral de entregas. Em nota, afirmou que há “variações injustificadas” no diesel nas regiões atendidas e que precisa preservar os contratos para manter o abastecimento.
Transporte agrícola enfrenta custo elevado
O encarecimento do diesel, associado à guerra no Irã segundo transportadoras, elevou o custo da cadeia logística. Durante março, o combustível chegou a subir 20% em todo o país. Porém, empresas apontam que o avanço foi mais intenso no Nordeste, onde se concentram rotas relevantes para o programa.
Sem correção nos contratos, operadores alertam para risco de cancelamentos. Esse cenário, bem mais do que só o frete do milho, pressiona também o escoamento da produção e afeta a previsibilidade do fornecimento de insumos essenciais para criadores de aves, suínos e bovinos.
Além disso, o governo federal adotou medidas para conter o avanço do combustível. Em 12 de março, foi assinada medida provisória que zera tributos sobre o diesel e cria mecanismos de compensação para o setor.
Frete do milho e resposta institucional
O tema também mobilizou o Ministério dos Transportes, que reforçou a fiscalização da tabela de frete mínimo após ameaça de paralisação de caminhoneiros. A pasta indicou que pode restringir empresas que descumprirem as regras.
Dentro desse ambiente, a Conab busca ajustar contratos sem alterar valores, equilibrando custo de transporte, execução logística e continuidade do programa. O Programa de Venda em Balcão, segundo a estatal, ampliou em 263% seu volume entre 2022 e 2026, reforçando seu papel no abastecimento rural.
Nesse contexto, o frete do milho se consolida como ponto sensível da política agrícola. A condução desses ajustes tende a influenciar a infraestrutura logística, a oferta de insumos e a estabilidade da produção de alimentos no país.





