O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado confirmou a pressão crescente da inadimplência rural sobre o maior financiador do agronegócio do país.
O balanço do Banco do Brasil mostrou uma mudança relevante no setor bancário brasileiro. Enquanto rivais privados preservaram rentabilidade elevada, o BB viu o avanço do risco de crédito reduzir lucro, elevar provisões e derrubar o retorno ao acionista. O ROE caiu para 7,3%, contra 16,7% há um ano.
A deterioração da carteira agro virou o principal ponto de atenção do mercado porque o banco ainda não conseguiu estabilizar a inadimplência rural, mesmo após endurecer cobranças e ampliar judicializações.
Lucro do Banco do Brasil sofre impacto direto do crédito rural
O custo de crédito disparou 85,8% em um ano, para R$ 18,9 bilhões, refletindo o aumento das perdas esperadas com operações do agronegócio.
A carteira rural atingiu R$ 418,4 bilhões no trimestre, com crescimento de 3% em 12 meses. Apesar da expansão, a qualidade da carteira piorou de forma relevante.
Os números mais pressionados vieram do crédito agrícola de custeio:
- inadimplência acima de 90 dias em 10,56%;
- índice geral do agro em 6,22%;
- avanço das provisões;
- aumento das ações judiciais.
O Banco do Brasil dobrou o número de judicializações realizadas nos primeiros meses de 2026 para recuperar ativos ligados ao agronegócio.
O movimento indica mudança importante na estratégia do banco. O BB passou de renegociações mais flexíveis para uma política mais agressiva de recuperação de crédito.
ROE do BBAS3 despenca e amplia pressão sobre rentabilidade
O retorno sobre patrimônio caiu para 7,3% no trimestre, um dos menores níveis entre os grandes bancos brasileiros.
O indicador mede a capacidade de geração de lucro sobre o capital dos acionistas. A queda amplia a percepção de que o Banco do Brasil enfrenta um ciclo mais longo de deterioração da rentabilidade.
O índice de eficiência também piorou:
- 28% no 1T26;
- 26,5% um ano antes.
A margem financeira bruta somou R$ 27,4 bilhões. Apesar da alta anual de 14,8%, o número recuou 1,3% frente ao trimestre anterior.
O balanço também mostrou piora na inadimplência da pessoa física do BB. O índice acima de 90 dias subiu para 6,82%, ante 5,10% um ano antes.
Mesmo com avanço do crédito consignado e maior participação do programa “Crédito ao Trabalhador”, o banco não conseguiu impedir deterioração da carteira.
O que o balanço do Banco do Brasil indica para BBAS3
O mercado passou a monitorar se o Banco do Brasil conseguirá recuperar rentabilidade ainda em 2026 ou se o impacto do agro continuará pressionando os resultados.
O principal receio envolve a duração da crise de crédito rural. O balanço mostrou que a inadimplência segue elevada mesmo após medidas mais rígidas de cobrança e reforço de garantias.
Entre os fatores que aumentam cautela sobre BBAS3:
- ROE muito abaixo dos bancos privados;
- provisões ainda elevadas;
- desaceleração da carteira empresarial;
- risco de pressão adicional no lucro.
A carteira expandida de pessoa jurídica caiu 2,4% em 12 meses, afetada principalmente por micro, pequenas e médias empresas.
Já a carteira de grandes companhias também recuou, indicando ambiente mais seletivo para concessão de crédito.
O mercado também monitora possíveis impactos futuros sobre dividendos e geração de capital caso a inadimplência rural continue pressionada nos próximos trimestres.
Banco do Brasil tenta compensar pressão do agro com receitas de serviços
As receitas de prestação de serviços cresceram 5,5% no trimestre, para R$ 8,8 bilhões.
Os principais avanços vieram de:
- administração de fundos;
- consórcios;
- seguros;
- previdência.
O desempenho ajudou parcialmente o resultado operacional, mas não compensou o avanço das despesas ligadas ao risco de crédito.
O Banco do Brasil encerrou março com ativos totais de R$ 2,6 trilhões e índice de Basileia de 14,23%, mantendo capitalização acima das exigências regulatórias.
O banco também aprovou distribuição de R$ 465,7 milhões em JCP, com pagamento previsto para 11 de junho.
Mesmo assim, o resultado do lucro do Banco do Brasil reforçou uma preocupação crescente no mercado: o agronegócio continua pressionando lucro, rentabilidade e perspectiva de recuperação do banco nos próximos trimestres.



