Banco do Brasil vê lucro despencar 53% no trimestre após piora no agro

O Banco do Brasil teve lucro 53,5% menor no 1T26 após avanço da inadimplência rural. O ROE caiu para 7,3% e o mercado monitora os riscos para BBAS3.
Imagem da fachada do Banco do Brasil para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro do Banco do Brasil no 1T26.
Banco do Brasil tem lucro 53% menor após pressão do agro. (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado confirmou a pressão crescente da inadimplência rural sobre o maior financiador do agronegócio do país.

O balanço do Banco do Brasil mostrou uma mudança relevante no setor bancário brasileiro. Enquanto rivais privados preservaram rentabilidade elevada, o BB viu o avanço do risco de crédito reduzir lucro, elevar provisões e derrubar o retorno ao acionista. O ROE caiu para 7,3%, contra 16,7% há um ano.

A deterioração da carteira agro virou o principal ponto de atenção do mercado porque o banco ainda não conseguiu estabilizar a inadimplência rural, mesmo após endurecer cobranças e ampliar judicializações.

Lucro do Banco do Brasil sofre impacto direto do crédito rural

O custo de crédito disparou 85,8% em um ano, para R$ 18,9 bilhões, refletindo o aumento das perdas esperadas com operações do agronegócio.

A carteira rural atingiu R$ 418,4 bilhões no trimestre, com crescimento de 3% em 12 meses. Apesar da expansão, a qualidade da carteira piorou de forma relevante.

Os números mais pressionados vieram do crédito agrícola de custeio:

  • inadimplência acima de 90 dias em 10,56%;
  • índice geral do agro em 6,22%;
  • avanço das provisões;
  • aumento das ações judiciais.

O Banco do Brasil dobrou o número de judicializações realizadas nos primeiros meses de 2026 para recuperar ativos ligados ao agronegócio.

O movimento indica mudança importante na estratégia do banco. O BB passou de renegociações mais flexíveis para uma política mais agressiva de recuperação de crédito.

ROE do BBAS3 despenca e amplia pressão sobre rentabilidade

O retorno sobre patrimônio caiu para 7,3% no trimestre, um dos menores níveis entre os grandes bancos brasileiros.

O indicador mede a capacidade de geração de lucro sobre o capital dos acionistas. A queda amplia a percepção de que o Banco do Brasil enfrenta um ciclo mais longo de deterioração da rentabilidade.

O índice de eficiência também piorou:

  • 28% no 1T26;
  • 26,5% um ano antes.

A margem financeira bruta somou R$ 27,4 bilhões. Apesar da alta anual de 14,8%, o número recuou 1,3% frente ao trimestre anterior.

O balanço também mostrou piora na inadimplência da pessoa física do BB. O índice acima de 90 dias subiu para 6,82%, ante 5,10% um ano antes.

Mesmo com avanço do crédito consignado e maior participação do programa “Crédito ao Trabalhador”, o banco não conseguiu impedir deterioração da carteira.

O que o balanço do Banco do Brasil indica para BBAS3

O mercado passou a monitorar se o Banco do Brasil conseguirá recuperar rentabilidade ainda em 2026 ou se o impacto do agro continuará pressionando os resultados.

O principal receio envolve a duração da crise de crédito rural. O balanço mostrou que a inadimplência segue elevada mesmo após medidas mais rígidas de cobrança e reforço de garantias.

Entre os fatores que aumentam cautela sobre BBAS3:

  • ROE muito abaixo dos bancos privados;
  • provisões ainda elevadas;
  • desaceleração da carteira empresarial;
  • risco de pressão adicional no lucro.

A carteira expandida de pessoa jurídica caiu 2,4% em 12 meses, afetada principalmente por micro, pequenas e médias empresas.

Já a carteira de grandes companhias também recuou, indicando ambiente mais seletivo para concessão de crédito.

O mercado também monitora possíveis impactos futuros sobre dividendos e geração de capital caso a inadimplência rural continue pressionada nos próximos trimestres.

Banco do Brasil tenta compensar pressão do agro com receitas de serviços

As receitas de prestação de serviços cresceram 5,5% no trimestre, para R$ 8,8 bilhões.

Os principais avanços vieram de:

  • administração de fundos;
  • consórcios;
  • seguros;
  • previdência.

O desempenho ajudou parcialmente o resultado operacional, mas não compensou o avanço das despesas ligadas ao risco de crédito.

O Banco do Brasil encerrou março com ativos totais de R$ 2,6 trilhões e índice de Basileia de 14,23%, mantendo capitalização acima das exigências regulatórias.

O banco também aprovou distribuição de R$ 465,7 milhões em JCP, com pagamento previsto para 11 de junho.

Mesmo assim, o resultado do lucro do Banco do Brasil reforçou uma preocupação crescente no mercado: o agronegócio continua pressionando lucro, rentabilidade e perspectiva de recuperação do banco nos próximos trimestres.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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