A parceria entre Correios e AliExpress foi ampliada nesta quinta-feira (28/05) com a assinatura de um memorando para investimentos em logística, rastreamento de encomendas e digitalização das entregas no Brasil.
A medida chega num momento crítico para os Correios, que ainda passa por crise financeira. Ao mesmo tempo, reforça a estratégia do AliExpress de acelerar entregas em um mercado cada vez mais disputado por plataformas como Mercado Livre, Amazon e Shopee.
A leitura econômica do memorando vai além da cooperação entre as empresas. O movimento coloca os Correios no centro da disputa por velocidade, previsibilidade e custo dentro do varejo digital brasileiro.
Parceria entre Correios e AliExpress muda a disputa da última milha
A chamada última milha, etapa final da entrega até o consumidor, virou o trecho mais sensível do e-commerce. É nela que a promessa de preço baixo encontra o teste real da entrega. Atraso, rastreamento ruim ou falha na comunicação corroem confiança e reduzem recompra.
O AliExpress, nesse contexto, utiliza a parceria com os Correios para diminuir essa fricção para competir com Mercado Livre, Amazon, Shopee e operadores privados. A plataforma já trata o Brasil como um dos três mercados prioritários de seu plano global de crescimento em 2026.
Para os Correios, o ganho potencial está no volume. A estatal tem capilaridade nacional, mas perdeu espaço à medida que grandes plataformas passaram a internalizar logística ou contratar redes privadas.
O acordo tenta transformar essa presença territorial em receita recorrente. Não basta chegar longe. A operação precisa chegar rápido, informar cada etapa e reduzir falhas que aumentam custo de atendimento, devolução e reclamação.
Crise dos Correios torna o acordo mais estratégico
A crise financeira dos Correios aumenta o peso do acordo de parceria com a AliExpress. Isso porque a estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes o rombo de 2024. Os Correios atribuiu parte relevante do resultado a obrigações judiciais e ao alto de custos operacionais.
O problema não é apenas contábil. A própria empresa reconheceu um ciclo em que dificuldade de caixa afeta fornecedores, reduz capacidade operacional e limita novos contratos. Esse ponto torna parcerias comerciais mais importantes.
A estatal também lida com queda estrutural da carta, avanço de concorrentes privados e pressão sobre despesas fixas. O e-commerce aparece como saída natural, mas exige tecnologia, centros eficientes e rastreamento confiável.
O plano de reestruturação prevê recuperação financeira, consolidação e crescimento. Entre as medidas anunciadas estão:
- Programa de demissão voluntária;
- Fechamento de até 1 mil agências deficitárias;
- Venda de imóveis;
- Modernização operacional;
- Expansão em e-commerce;
- Parcerias estratégicas.
A empresa também buscou crédito para recompor caixa e projetou retomada de lucro em 2027.
Nesse contexto, a parceria com o AliExpress funciona como teste de execução para os Correios. Se gerar volume rentável, melhora a ocupação da rede. Se apenas ampliar entregas de baixa margem, pode pressionar ainda mais uma estrutura já pesada.
Velocidade vira ativo competitivo no varejo digital
A disputa logística deixou de ser bastidor e virou parte central da estratégia comercial. Marketplace que entrega mais rápido reduz abandono de carrinho, aumenta recorrência e ganha margem para disputar vendedores.
Esse é o ponto que diferencia a parceria entre Correios e AliExpress . O memorando fala em rastreamento ponta a ponta, inovação logística e digitalização dos serviços. A nova portaria do Ministério das Comunicações também reforçou a atuação dos Correios em logística integrada, armazenagem, controle de estoques e centros de distribuição.
A combinação abre espaço para contratos mais sofisticados. Os Correios deixam de depender apenas da entrega final e podem disputar etapas de armazenagem, movimentação interna e gestão logística.
O risco está na execução. A estatal precisa provar que consegue operar com padrão competitivo num ambiente em que Mercado Livre, Amazon e Shopee transformaram logística em vantagem própria.
O AliExpress ganha capilaridade e previsibilidade. Os Correios ganham uma vitrine para recuperar escala no comércio eletrônico. A questão é se a estatal conseguirá converter a parceria entre Correios e AliExpress em eficiência real, caixa e melhora de serviço.





