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Endividamento empresarial cresce entre microempresas e negócios com mais de 15 anos

Levantamento identificou 1,64 milhão de CNPJs endividados em 2025 e mostra que o endividamento empresarial se concentra nas microempresas, mas também atinge negócios com mais de 15 anos de atividade. O estudo aponta ainda que setores ligados ao consumo e ao capital de giro concentram a maior parte dos casos.
Empresário analisa documentos financeiros em meio a contas e relatórios sobre endividamento empresarial.
Levantamento mostra que microempresas concentram a maior parte dos CNPJs endividados (Foto: Ilustrativa)

O endividamento empresarial continua concentrado nas microempresas, mas também pesa sobre negócios com mais de 15 anos de atividade. O cenário indica que a experiência de mercado não tem sido suficiente para proteger empresas da pressão financeira em um ambiente de crédito mais restrito.

Essa leitura aparece no Mapa Assertiva de Cobrança e Endividamento (MACE), estudo elaborado pela datatech Assertiva, empresa especializada em soluções integradas para análise de crédito. O levantamento identificou 1.638.645 CNPJs distintos endividados em 2025, a partir de 3.042.775 consultas realizadas por empresas do setor de cobrança.

A concentração das microempresas acompanha a composição do empreendedorismo brasileiro. Segundo a Receita Federal, cerca de 92% das empresas ativas no país pertencem a esse porte. Nos estados analisados pela Assertiva, elas representam entre 58% e 63% dos CNPJs consultados, enquanto as pequenas empresas respondem por percentuais entre 17% e 20%.

Endividamento empresarial também pesa sobre empresas maduras

Embora as microempresas concentrem a maior parte da base analisada, o endividamento empresarial também se destaca entre negócios com longa trajetória. O levantamento mostra que empresas com mais de 15 anos de atividade formam o grupo mais representativo entre os CNPJs consultados nos estados avaliados.

A participação dessas empresas varia entre as unidades da federação, mas permanece acima de 28% em todos os casos analisados:

  • São Paulo: 35,63%;
  • Rio de Janeiro: 31,95%;
  • Minas Gerais: 31,86%;
  • Paraná: 30,92%;
  • Santa Catarina: 28,90%.

Para a Assertiva, o resultado indica que a experiência de mercado, por si só, não elimina o risco de endividamento empresarial. Custos operacionais elevados, margens reduzidas e um ambiente de crédito mais seletivo continuam pressionando empresas que já passaram por diferentes ciclos econômicos.

Segundo o CEO da companhia, Hederson Albertini, o levantamento ajuda a desfazer a percepção de que apenas empresas jovens acumulam dívidas. O executivo observa, por outro lado, que negócios recém-criados costumam enfrentar mais dificuldades para acessar crédito, o que também limita sua capacidade de contratar financiamentos.

Setores dependentes do consumo concentram mais empresas endividadas

Os setores mais representativos entre os CNPJs endividados consultados têm uma característica em comum: dependem de consumo recorrente e precisam manter capital de giro para sustentar estoque, folha, fornecedores e operação diária.

O comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios lidera o levantamento, com 3,19% dos CNPJs apresentando endividamento empresarial. Na sequência aparecem:

  • Construção de edifícios: 2,24%;
  • Transporte rodoviário de cargas: 2,23%;
  • Varejo de alimentos, como minimercados, mercearias e armazéns: 2,11%;
  • Restaurantes e similares: 1,98%.

Segundo o estudo, esses segmentos combinam custos operacionais relevantes com maior exposição às oscilações da demanda. Essa dinâmica aumenta a necessidade de capital de giro e deixa o caixa mais sensível a atrasos, queda nas vendas ou encarecimento do crédito.

Endividamento empresarial reflete desafios do ambiente de crédito

Além da concentração por setor, o levantamento identifica diferenças no valor médio das dívidas entre os estados analisados. Santa Catarina registra a maior média, de R$ 117.473,88 por empresa consultada, seguida por São Paulo, com R$ 110.335,26. No Paraná, a média chega a R$ 47.094,49, enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro apresentam valores inferiores a R$ 20 mil.

O cenário, portanto, reforça que o endividamento empresarial está associado a fatores estruturais, como crédito mais seletivo, custos operacionais elevados e necessidade permanente de capital de giro. Nesse contexto, o tempo de mercado, por si só, não garante maior resistência às dificuldades financeiras.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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