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Lucro histórico da Samsung não impede queda das ações após reação do mercado

Resultado histórico reforçou a demanda por chips de inteligência artificial, porém investidores passaram a avaliar os riscos de desaceleração do ciclo que impulsiona o setor de semicondutores.
Prédio com fachada da Samsung, ilustrando lucro recorde, apesar de queda de ações
O lucro da Samsung subiu cerca de 19 vezes em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior. (Foto: Babak Habibi/Unsplash)

A Samsung Electronics divulgou um resultado financeiro acima das expectativas do mercado, mas viu suas ações sofrerem uma das maiores quedas do ano. O lucro da Samsung alcançou 89,4 trilhões de wons (R$ 304 bilhões), cerca de 19 vezes o registrado no mesmo período do ano anterior.

O resultado, um recorde, foi impulsionado pela valorização dos chips usados em aplicações de inteligência artificial. Mesmo assim, os papéis da companhia chegaram a cair 10% durante o pregão desta terça-feira (07/07), encerrando com perda próxima de 8%.

A reação mostrou que, para os investidores, os números do trimestre deixaram de ser a principal preocupação. Isso porque o mercado passou a concentrar atenção na capacidade da indústria de manter o ritmo de crescimento depois da forte expansão registrada nos últimos meses.

Mercado passou a olhar além do lucro da Samsung

O resultado acima das projeções não foi suficiente para sustentar a valorização da empresa na bolsa. As ações chegaram a cair 10% durante o pregão e fecharam o dia em baixa de 8%, indicando que o mercado passou a olhar menos para os resultados do trimestre e mais para o próximo ciclo da indústria.

Segundo Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo, os números mostram que a demanda por memórias voltadas à inteligência artificial continua forte. Para o mercado, porém, o lucro da Samsung passou a ser menos importante do que os sinais sobre a continuidade desse ciclo de crescimento.

A cautela rapidamente se espalhou pelo setor. A SK Hynix perdeu cerca de 7%, enquanto a japonesa Kioxia recuou aproximadamente 11%, pressionando também o índice Kospi, principal indicador da bolsa sul-coreana.

Entre os fatores que alimentam essa mudança de percepção estão os planos de expansão da capacidade produtiva e as dúvidas sobre o ritmo futuro dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Relatos de que a Meta avalia comercializar parte de sua capacidade excedente de computação também reforçaram essa leitura entre investidores.

Preços elevados continuam sustentando os fabricantes

Apesar da cautela do mercado financeiro, mesmo com lucro acentuado da Samsung, os fundamentos da indústria de semicondutores continuam favoráveis. A demanda ligada à inteligência artificial segue sustentando a valorização das memórias.

Levantamento do Citi mostrou que os preços médios dos chips DRAM avançaram 44% no segundo trimestre, enquanto os chips NAND registraram alta de 53% em relação aos três meses anteriores. O banco de investimentos japonês Nomura projeta novos aumentos neste trimestre, impulsionados pelos data centers e pela recuperação da demanda por eletrônicos de consumo.

A estratégia de priorizar a produção de memórias HBM, usadas em aplicações de inteligência artificial, também restringiu a oferta de chips convencionais. Com isso, Samsung e SK Hynix ajudaram a manter os preços elevados em diferentes segmentos do mercado.

O que o lucro da Samsung sinaliza para o setor

Mesmo com provisões para o pagamento de bônus aos funcionários da divisão de semicondutores, analistas avaliam que o desempenho operacional permaneceu acima das expectativas.

Mais do que confirmar um trimestre excepcional, o lucro da Samsung reforça que a corrida por infraestrutura de inteligência artificial ainda impulsiona os fabricantes de memória. A discussão do mercado agora deixou de ser o desempenho atual e passou a se concentrar na duração desse ciclo de investimentos.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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