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Queda na importação chinesa afeta setor de carne no Brasil

Queda na importação chinesa afeta setor de carne no Brasil
(Foto: Patrick Robert Doyle/Pexels).

O valor das importações de carne bovina pela China registrou uma queda no último ano, algo que não ocorria desde 2016. Essa redução reflete uma desaceleração do consumo no país asiático e um aumento na oferta interna de carne. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, espera-se que as importações chinesas recuem 4% este ano, interrompendo uma sequência de crescimento de 12 anos.

Esse cenário impacta diretamente o Brasil, principal fornecedor de carne para a China. Em 2023, mais de 52% das exportações brasileiras de carne bovina foram destinadas ao mercado chinês. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos alerta para os riscos associados à dependência de um único mercado.

A Minerva e a Marfrig Global Foods, duas grandes companhias brasileiras do setor, sentiram os efeitos dessa redução. A Minerva teve uma diminuição de quase 18% na receita de exportação em 2024, enquanto a operação da Marfrig na América do Sul registrou queda de quase 26%. Esse cenário desafiador é exacerbado pela concorrência crescente de outros países, como a Austrália, que tem pressionado os preços.

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Ainda assim, a China mantém um papel central no comércio global de carne bovina. A produção interna de carne no país asiático deve atingir 7,7 milhões de toneladas este ano, um aumento substancial em relação a 2020. Paralelamente, a desaceleração econômica levou os consumidores chineses a optar por proteínas mais acessíveis, reduzindo ainda mais a demanda por carne importada.

Segundo Leonardo Alencar, analista da XP Investimentos, “o Brasil depende muito da China – se houver um percalço na China, isso afetará o Brasil muito negativamente”, disse ao Bloomberg. A necessidade de diversificação das exportações é evidente, porém as alternativas ainda são limitadas.

Em meio a esse cenário, os frigoríficos brasileiros buscam alternativas. O governo brasileiro tem trabalhado para abrir novos mercados, como México e Cingapura, mas esses não oferecem o mesmo volume de demanda que a China. Ainda assim, a China aprovou recentemente mais 24 frigoríficos brasileiros para exportação, uma medida que pode reforçar o comércio bilateral.

Apesar das dificuldades atuais, especialistas como João Otávio Figueiredo, chefe da divisão de gado da Datagro, veem a China como um parceiro comercial estratégico para o futuro do agronegócio brasileiro. “A China é um ótimo parceiro comercial para o Brasil e continuará sendo por um longo tempo”.

As novas aprovações podem elevar a participação do Brasil nas importações de carne bovina da China para até 60% nos próximos anos. Essa projeção, junto com as estratégias de diversificação de mercado, reflete os esforços do Brasil para manter sua posição de destaque no comércio internacional de carne, mesmo diante de desafios econômicos e competitivos crescentes.

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