O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que Ana Lúcia Umbelina Galache de Souza, uma mulher de Campo Grande (MS), devolva R$ 3.194.516,77 que ela recebeu ao longo de mais de 30 anos por meio de uma pensão do exército irregular. Usando documentos falsos, Ana Lúcia se passou por filha de um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, recebendo o benefício entre 1988 e 2022.
O TCU anunciou a decisão no dia 2 de outubro, impondo uma multa de R$ 1 milhão por danos ao erário público. Além disso, Ana Lúcia está proibida de ocupar cargos públicos até 2032. O portal Metrópoles revelou o caso, e outros veículos, como o Estadão, confirmaram a informação.
O Exército afirmou que corrigiu os valores da pensão ao longo dos anos, totalizando o montante devido. O Estadão tentou contato com Ana Lúcia e com a Defensoria Pública da União (DPU), que a defende no processo, mas não obteve retorno até o momento da publicação.
Fraude com ajuda familiar
A condenação de Ana Lúcia pelo TCU não foi o primeiro revés que ela enfrentou. Em fevereiro de 2023, o Superior Tribunal Militar (STM) sentenciou Ana Lúcia a três anos e três meses de reclusão por estelionato. O tribunal determinou que Ana Lúcia, com a ajuda de sua avó, Conceição Galache de Oliveira, falsificou documentos na década de 1980 para se passar por filha do ex-combatente Vicente Zarate, que morreu em 1988 sem deixar filhos.
A avó de Ana Lúcia revelou o esquema de fraude em 2021, ameaçando denunciá-la e exigindo R$ 8 mil para manter o silêncio. Após a denúncia, Conceição faleceu, e Ana Lúcia confessou o crime ao STM, explicando que usava o nome “Ana Lúcia Zarate” exclusivamente para fins de recebimento da pensão militar.
Suspensão da pensão do exército
De acordo com informações do TCU, a pensão do Exército foi suspensa logo após a descoberta da fraude. Durante o período entre 1988 e 2003, Ana Lúcia recebia valores que variavam entre R$ 2.028 e R$ 8.299,80 por mês. Já entre 2004 e 2022, a pensão foi de R$ 4.952 mensais, com valores corrigidos historicamente pela Corte de Contas.
Nas redes sociais, Ana Lúcia se apresenta como “Ana Lúcia Galache”, omitindo o sobrenome “Zarate”, que foi utilizado indevidamente para garantir a pensão. Embora tenha admitido a culpa pelo crime, a defesa da mulher, feita pela Defensoria Pública da União, ainda busca reverter as condenações.











