O bilionário Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX, defendeu publicamente, na última sexta-feira (08), a ideia de uma possível intervenção presidencial no Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, após uma declaração de Jerome Powell. O presidente do Fed afirmou que não renunciaria ao cargo caso o presidente eleito Donald Trump solicitasse sua saída. O posicionamento de Powell gerou reações nos aliados republicanos de Trump, incluindo Musk, que usou as redes sociais para apoiar a proposta do senador Mike Lee, de Utah, que defende que o presidente tenha controle sobre a instituição.
Pressão sobre a autonomia do Federal Reserve
O apoio de Musk a essa possível intervenção presidencial expõe a crescente pressão sobre a independência do Banco Central dos EUA. Tradicionalmente, o Fed tem autonomia para decidir sua política monetária, visando a saúde econômica do país. No entanto, com Trump novamente na Casa Branca, aliados do político defendem que o Fed opere sob controle do Executivo, com a ideia de que o órgão responda diretamente ao presidente.
O comentário de Musk, apoiando a hashtag “#EndtheFed”, demonstra que ele compartilha dessa visão. A reiteração de Powell em permanecer no cargo reaviva a possibilidade de um novo embate entre o Fed e a Casa Branca, como aconteceu durante o primeiro mandato de Trump, quando o republicano criticava publicamente as decisões monetárias. Agora, com o apoio de Musk, essa pressão pela redução da autonomia do Fed pode ganhar ainda mais força.
Potencial influência de Musk no governo Trump
O apoio de Musk a Trump vai além das redes sociais. Ele contribuiu com mais de US$ 130 milhões para a campanha republicana e, além disso, pode participar ativamente da administração de Trump. No início da campanha, o então candidato republicano propôs a criação de um Departamento de Eficiência Governamental, com o intuito de auditar os gastos federais, ideia que partiu do próprio Musk.
A proposta, ainda não oficializada, abriria espaço para que Musk influenciasse diretamente as decisões sobre o corte de gastos, tema que ele mesmo sugeriu, mencionando um possível corte de US$ 2 trilhões no orçamento federal. Caso essa pasta seja criada, Musk teria papel significativo em futuras políticas orçamentárias do governo, o que ampliaria sua influência no novo mandato de Trump.
Trump e o histórico de embates com o Federal Reserve
Mesmo que o dono da Tesla não tenha um papel formal no governo, a relação de Trump com Powell já aponta para possíveis confrontos. Durante seu primeiro mandato, Trump criticou Powell quando o Fed interrompeu o ciclo de cortes de juros, e sugeriu que os presidentes deveriam ter mais voz nas políticas do banco central. O republicano declarou publicamente que sua experiência em negócios lhe dava um “instinto melhor” do que muitos dos membros do Fed para lidar com a política de taxas de juros.
Essa visão de Trump, somada ao apoio de Musk e outros aliados, alimenta especulações de que o novo governo poderá buscar maior controle nas políticas do Fed, com uma possível revisão da autonomia tradicionalmente garantida à instituição. Powell, por sua vez, segue argumentando que essa independência é crucial para a estabilidade econômica do país.
Futuro da liderança do Federal Reserve
Com o mandato de Powell previsto para terminar em maio de 2026, Trump terá a oportunidade de indicar novos membros para o Conselho de Governadores do Fed, o que pode aumentar a influência presidencial no banco central. Entre as vagas que estarão disponíveis estão as de Adriana Kugler, cujo mandato termina em janeiro de 2026, e a de Michael Barr, com prazo até julho de 2026.
Essas indicações presidenciais podem abrir caminho para que Trump implemente uma visão mais alinhada com seus interesses econômicos no Fed, assumindo maior controle sob o banco. Aliados do presidente eleito defendem que o Federal Reserve deveria ter um papel mais orientado pela administração. O futuro da autonomia da instituição, então, torna-se incerto, e a relação com a Casa Branca pode ganhar um novo contorno nos próximos anos, sob influência de Trump e Musk.











