O pedido de joint venture da OLX entrou na análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na última semana, e envolve a Dataland, empresa especializada em engenharia de dados aplicada ao mercado imobiliário. A operação, sem valores divulgados, busca ampliar a oferta de soluções tecnológicas para incorporadoras e construtoras.
Segundo informações apresentadas à autoridade antitruste, a OLX, costumeiro site de compras online, afirmou que seu foco principal permanece no mercado de classificados online. Ainda assim, a companhia indicou interesse em expandir as ferramentas de dados e o software oferecidos pelo Geoimóvel, plataforma do grupo dedicada ao acompanhamento de lançamentos e à precificação de imóveis.
Joint venture da OLX e o papel da Dataland
No formulário encaminhado ao Cade, a empresa detalha que a joint venture da OLX permitirá integrar a base de dados desenvolvida pela Dataland ao Geoimóvel. A empresa declara ter mapeado todos os lotes urbanos da cidade de São Paulo, reunindo mais de 600 camadas de informações relevantes ao setor imobiliário.
Esses dados incluem regras de zoneamento, restrições à construção, áreas tombadas, acesso a transporte público, perfil de comércio no entorno, cobertura vegetal e indicadores de segurança. A proposta busca oferecer leitura técnica estruturada para apoiar decisões de aquisição e desenvolvimento de terrenos urbanos.
A Dataland integra o portfólio da GHT4, gestora fundada pelo fundador e presidente do conselho da Totvs, Laércio Cosentino, junto a Guga Valente (Grupo ABC); o ex- CEO do Itaú BBA Caio David; e o advogado Rodrigo Vella. Além disso, administra mais de R$ 4 bilhões em ativos.
Joint venture da OLX com Dataland mira gestão de terrenos
A joint da OLX com a Dataland mira diretamente a gestão de landbanks, considerada uma das etapas mais complexas para incorporadoras imobiliárias. De acordo com as empresas, o mercado ainda apresenta processos pouco digitalizados, nos quais um mesmo terreno é oferecido simultaneamente a diversas companhias.
Segundo a documentação enviada ao Cade, a tecnologia desenvolvida pela Dataland permite reduzir para minutos análises que hoje podem demandar até 20 horas. Tal como a avaliação do melhor uso do solo. Portanto, a expectativa é padronizar decisões e reduzir assimetrias de informação no mercado primário de imóveis.
Parceria da OLX e a avaliação concorrencial
A joint venture da OLX com a Dataland ocorre em um mercado brasileiro de software estimado em mais de R$ 85 bilhões. Na análise concorrencial, as companhias sustentam que o segmento de tecnologia imobiliária permanece pulverizado. Portanto, com presença de players internacionais e possibilidade de desenvolvimento interno de soluções por parte dos clientes.
Para o setor, a joint venture da OLX com Dataland indica que dados territoriais passaram a ocupar posição estratégica na cadeia imobiliária, sobretudo na fase inicial de projetos. O parecer da Superintendência-Geral do Cade, esperado para as próximas semanas, deve indicar como esse tipo de integração será enquadrado do ponto de vista concorrencial.











